Demetrius Nunes explica a adoção do Linux na Globo.com. Foto: Baguete Diário

Redução de 65% nos custos com criação de sites e ganho de capacidade para suportar, sem queda alguma, picos de audiência mesmo em casos de 9,8 milhões de visitantes e 31,5 milhões de page views em um único dia são alguns dos motivos do invesimento da Globo.com em open source.

A empresa, braço online do grupo de mídia Organizações Globo, investiu na plataforma aberta há cerca 10 anos.

NO BANCO

Desde a adoção do MySQL Enterprise Edition, em 2010, por exemplo, como único banco de dados relacional, a economia já referida foi sentida na redução de gastos com servidores e licenças.

Ainda no banco de dados, a Globo.com usa MongoDB, Redise Virtuoso - tudo open source.

ABERTURA QUASE TOTAL

“Somos 99% abertos, não fosse pelo Oracle, que também temos lá”, afirmou Demetrius Arraes Nunes, gerente de Tecnologia da Globo.com, durante o fisl13, em Porto Alegre.

No portfólio de ferramentas da empresa, o open source também é usado em aplicações e no cache.

Os servidores de aplicação, por exemplo, contam com Apache (na linguagem PHP), Tomcat (Java), gunicorn (Python) e passenger (Ruby).

Já no cache, o usado é o Varnish, um  acelerador HTTP projetado para sites web dinâmicos com alto volume de conteúdo.

A companhia também usa o Memcached, um cache usado para evitar o carregamento de informações de origens mais lentas, como discos ou um banco de dados.

A lista de linguagens e plataformas seguem com JavaScript, C, Go, Perl, Django, Ruby on Rails e outras.

“Isso nos dá uma economia total com TI de 50% em comparação com o uso de sistemas proprietários”, avalia Nunes.

CULTURA OPEN SOURCE
Empresa onde 30% dos desenvolvedores participam ou já participaram de trabalhos open source, a Globo.com tem mais de 40 projetos criados em funções das necessidades do negócio.

Além disso, mais de 100 projetos do grupo Globo em código aberto já receberam contribuições de funcionários do braço online.

Um deles é o sistema de publicação, usado pelas equipes de conteúdo, desenvolvido com tecnologias abertas, porém mantido fechado pela Globo, com a liberação de algums módulos à comunidade.

IMAGENS ABERTAS
Entre  dos últimos projetos de maior sucesso está  o Thumbor, esse sim, totalmente open source. Trata-se de um sistema de edição de imagens para o produto final da Globo.com, que é o conteúdo de internet.

“Tínhamos necessidade de uma solução para vários tipos de tratamento de imagens e acabamos desenvolvendo o produto internamente”, disse Nunes.

Feita a primeira versão, em plataforma aberta, dentro de um mês chegaram os primeiros comentários sobre bugs e a companhia começou a trabalhar nas correções.

Mais um mês, e os bugs já chegavam corrigidos, em linhas de código, relembra Nunes.

“Isso significa que alguém que já trabalha, e não é pra mim, se preocupou em me enviar uma linha de código que ele nem sabe se isso vai ser utilizado, para um projeto que ele nem iniciou”, explica ele.

O diretor destaca que o projeto é responsável por suportar 5 milhões de visualizações diárias na ferramenta. Ou seja, cada bug descoberto aprimora segurança e performance.

“Quando pedimos alterações para a Oracle chegamos a ficar um ano esperando a solução final. Por isso que open source é melhor”, finaliza Nunes.

Hoje, a Globo.com conta com mais de 500 mil assinantes, e uma audiência superior a 20 milhões ao mês.

O G1, portal de notícias do grupo, é um dos líderes no Brasil.