Cesar Brodi. Foto: Baguete Diário

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Mesmo acenando com novidades para fomento do uso do opens source na gestão pública e para divulgação das soluções disponibilizadas, o novo portal do Software Público do Brasil, que deve ir ao ar em 2013, tomou tapas de todos os lados no Fisl13.

No fórum, realizado em Porto Alegre, o projeto, que recentemente foi criticado pelos fornecedores de software como um possível invasor de meracdo, voltou a apanhar, especialmente pelo reforço de projetos como a Instrução Normativa número 04, de 2010, do Ministério do Planejamento.

Pela normativa, os processos de contratação de soluções da esfera pública federal dão preferência a programas livres presentes no portal – o que não agrada muito o empresariado.

No mês passado, entidades do setor de TI aproveitaram uma reunião em Brasília para falar mal do projeto, alegando que o portal é uma intromissão ilegítima do governo no mercado.

Palestrante do fisl13, o coordenador do projeto do portal, Cesar Brod, discorda de tudo.

Para ele, a ampliação da IN04/2010 fortalece o ecossistema, já que as empresas não podem vender software no portal, mas podem fornecer serviços aos usuários das soluções gratuitas.

“Muitas empresas chegam à nós com vários questionamentos, num tipo de lobby contra o projeto, com a reclamação de que roubamos mercado. Isso não é verdade, nós criamos mercado”, rebateu Brod. “A verdade é que qualquer empresa pode usar o portal, baixar e trabalhar com os programas na modalidade de prestação de serviço - suporte e implementação”, completou.

Hoje, segundo ele, há 60 soluções disponíveis no portal, todas sob a licença GPL 2.0 em português do Brasil, e mais da metade dos programas oferecidos vem de empresas.

SÓ SE FOR LIVRE
Para entrar no repositório do portal, os programas têm de ter licença GPL, ser 100% livres de elementos proprietários, fornecer um manual e manter a marca pública.

“Se uma marca não for pública, não será possível trabalhar com ela”, garante o gestor.

MAIS NOVIDADES
Outra inovoação da versão 2013 do portal, segundo Brod, é a ferramenta WordPress, criada para facilitar a divulgação das soluções cadastradas.

Também haverá a categorização dos softwares ofertados.

FOCO NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
A participação de soluções open source no mercado brasileiro em 2010 foi de 2,95%.

No mesmo ano, dos US$ 563 milhões movimentados pelo software livre, 66% correspondem a gastos do governo.

Os números fazem parte da 7ª edição do estudo “Mercado Brasileiro de Software – Panorama e Tendências”, realizado pela IDC e divulgado pela Abes em junho.