Rogério Salume.

A Wine.com.br, o maior e-commerce brasileiro de vinhos, tem planos de internacionalizar a sua operação entre o segundo semestre de 2015 e o primeiro de 2016, de olho nos mercados dos Estados Unidos, Portugal e Espanha.

A revelação é de Rogério Salume, presidente da empresa, que esteve em Porto Alegre nesta terça-feira, 26, participando do Zoom do Varejo da Câmara de Dirigentes Lojistas.

Os planos de internacionalização da Wine.com.br vieram à tona em uma carta do presidente do Grupo RBS, Eduardo Sirotsky Melzer, divulgada aos colaboradores do grupo de comunicação no começo de agosto. 

A RBS adquiriu uma participação minoritária na empresa em maio de 2012.

Salume preferiu não fazer projeções de vendas para os novos mercados (os seus prazos são mais longos do que Melzer deu a entender na carta), mas destaca as possibilidades oferecidas por um consumo per capita muito maior do que o brasileiro. 

Enquanto por aqui o consumo fica na casa dos dois litros por habitante ao ano, nos Estados Unidos a cifra é 11 litros, e na Espanha e Portugal, onde o vinho é considerado um alimento da cesta básica e consumido habitualmente nas refeições, mais de 20.

Mesmo hoje atuando só no Brasil, a Wine.com.br tem um porte similar aos dos players de e-commerce de vinhos atuantes nesses mercados.

A Wine.com.br fechou o primeiro semestre deste ano com um faturamento de R$ 120 milhões, quase igual ao obtido no ano passado inteiro, quando fechou em R$ 125 milhões, dobrando os resultados de 2012. Quase a totalidade dos vinhos vendidos (98%) é importada.

Pelo que a reportagem do Baguete pesquisou, não existe nenhum player desse porte nos mercados português e espanhol.

O tamanho é quase o mesmo do site americano Wine.com, tido como o maior portal especializado em vendas de vinhos dos Estados Unidos e dono de um faturamento de US$ 75 milhões. 

Um sobrevivente da primeira bolha da Internet americana, o Wine.com está em apuros administrativos, segundo relata a imprensa local.  

Além dos problemas que o Wine.com.br já enfrenta no Brasil, como um produto pesado e com necessidades especiais de armazenagem, o similar americano enfrenta a grande regulação existente no país quando o assunto são vendas de bebidas alcoólicas.

“Existe uma divisão obrigatória entre quem importa, quem distribui e quem vende no varejo que vem da época da lei seca”, afirma Salume. De acordo com ele, a Wine.com.br tem estudado o mercado americano a pelo menos dois anos.

Uma prova da complexidade do ambiente é que mesmo a gigante Amazon, conhecida por “passar o trator” nos mercados onde entra, já fez duas tentativas fracassadas de entrar nesse mercado nos últimos dez anos.

No final de 2012, a gigante fez uma nova tentativa, mesmo assim oferecendo o serviço apenas para 12 dos 50 estados americanos.