Mário Pavón.

A Sonda fez um aporte de capital de R$ 114 milhões no data center mineiro Ativas, adquirindo com isso 60% da empresa.

Ao que tudo indica, o Grupo Asamar e a Cemig, agora detentoras de 40% do negócio, foram buscar um sócio com capital para bancar a expansão do negócio, criado pelas duas em 2010 com um investimento de US$ 50 milhões.

A Ativas já havia recebido um aporte de R$ 34 milhões do grupo de energia em janeiro.

A exigência por mais capital acontece em um momento em que os resultados da companhia estão patinando. Até 2013, quando cresceu 42%, para R$ 75 milhões, a empresa divulgava seus resultados de maneira sistemática.

Desde então, as informações tem sido dispersas, com uma meta projetada de R$ 70 milhões para o ano passado. Na nota sobre a aquisição, a Sonda fala que a Ativas deve faturar R$ 62 milhões.

No seu texto de divulgação do negócio, a Sonda coloca a Ativas como um reforço da sua presença em Minas Gerais, destacando que o data center da companhia em Belo Horizonte é o único Tier 3 no estado. As estruturas da Sonda em São Paulo são Tier 3 também.

“Além de ser uma importante expansão da Sonda no Brasil, vai permitir complementar a oferta atual, ampliando nossa capacidade para acessar grandes contratos e fortalecer nossos serviços de cloud computing e missão crítica”, afirma o presidente Sonda, Mario Pavón. 

O presidente da Cemig Telecom, Aloisio Vasconcelos, destaca que a entrada da Sonda “confirma interesse de investidores estrangeiros” e que, com o novo sócio, a empresa continuará em “franca expansão com a ampliação de sua carteira de clientes corporativos, inclusive se consolidando no mercado nordeste e centro-oeste.

A capacidade de investimento da Sonda é muito maior e em dólares.

No começo do ano, a multinacional chilena divulgou um plano de investimentos para o triênio de US$ 790 milhões, dos quais US$ 540 milhões serão destinados para materializar aquisições e US$ 250 milhões para fomentar investimentos em crescimento orgânico.

Os valores representam um pequeno aumento frente aos US$ 700 milhões alocados no triênio anterior, no qual a divisão entre compras e crescimento orgânico era mais ou menos a mesma. 

Com a alta recente do dólar, no entanto, a capacidade de compra da Sonda no Brasil aumentou muito. O negócio da Ativas, por exemplo, soma “apenas” US$ 35 milhões. 

A Sonda entrou com barulho no mercado brasileiro em 2007 com a compra da Procwork, especializada em tecnologia fiscal e SAP, por R$ 230 milhões. 

Em 2010 foi vez da integradora de soluções de virtualização, cloud computing, armazenamento e segurança paulista Kaizen por R$ 12 milhões.

A Elucid, especializada em TI para companhias de distribuição, transmissão e geração de energia, e a Telsinc, focada em telecom, foram adquiridas no mesmo ano em operações que não tiveram valores revelados.

Em 2012 foi a vez da Pars, especializada em software para engenharia, arquitetura, design 2D e 3D e sistemas de informações geográficas, por R$ 94,7 milhões.

A maior tacada, no entanto, foi a compra da CTIS por um valor que pode chegar a R$ 485 milhões, dos quais R$ 85 milhões estão pendentes de resultados entre 2014 e 2018.

Atualmente a empresa opera com 22 mil colaboradores em dez países da América Latina e seu faturamento em 2015 alcançou receita consolidada de US$ 1,25 bilhão em 2015 (cerca de 60% fora da sede chilena, com destaque para o Brasil), uma alta de 1,4% em relação ao mesmo período no ano anterior, e um EBITDA de US$ 178,5 milhões, que representa 2,3% a menos que em 2014.