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Cloud broker da RNP usa Ustore

Maurício Renner
// quinta, 26/10/2017 07:26

O projeto da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa de se tornar um intermediário de contratação de serviços de computação em nuvem para universidades e institutos de educação federais rodará sobre uma plataforma da startup pernambucana Ustore.

Representantes da Ustore e RNP depois da assinatura do acordo.

RNP e Ustore assinaram um acordo de cooperação nesse sentido recentemente em Brasília, segundo divulga o site da rede de pesquisa.

A publicação não dá detalhes do modelo comercial da parceria, afirmando apenas que com o acordo a Ustore poderá desenvolver novas funcionalidades para a sua plataforma de cloud broker, ao mesmo tempo em que permite à RNP implementar o seu marketplace de nuvem.

A RNP é responsável pelo backbone de telecomunicações usado por universidades e institutos de educação federais, tendo assim a interconexão e o acesso privilegiado a um mercado com grande potencial para compra de processamento de dados na nuvem.

Segundo disse ao Convergência Digital o diretor de serviços e soluções da RNP, José Luiz Ribeiro Filho, o modelo de negócio está em desenvolvimento e terá parcerias com empresas como Amazon, Microsoft, Google, IBM,  Embratel, Vivo e Vert.

Uma organização social ligada ao Ministério de Ciência e Tecnologia, a RNP foi responsável pelo primeiro backbone para a chegada da Internet no Brasil, em 1991.

A organização tem uma rede de fibra óptica, recebida como contrapartida da Oi ao governo quando da autorização de compra da Brasil Telecom. Até 2020, a RNP vai migrar para fibras OPGW do setor elétrico. 

A RNP é mais uma entidade ligada ao governo querendo se tornar uma cloud broker.

Dataprev e Serpro, as duas principais estatais de processamento de dados em nível federal, estão fazendo uma movimentação similar. 

Os órgãos públicos poderiam colocar dados críticos nos data center das estatais e rodar outras aplicações na nuvem da parceria a preços mais competitivos.

De acordo com dados do Painel Gastos de TI do Ministério da Transparência, o Serpro é a empresa de TI que mais vende para o governo, com mais de R$ 1,2 bilhão no que vai de ano. A Dataprev é a segunda, com R$ 546,5 milhões. 

Já distante, a terceira é a Claro, com R$ 176,7 milhões.

Toda a movimentação acontece porque o governo como um todo está dando uma virada, começando a estar mais aberto a contratar serviços de computação em nuvem de fornecedores privados.

Em março, o Ministério do Planejamento divulgou estar preparando uma licitação para contratação de serviços de computação na nuvem no valor de R$ 16 milhões em nuvem coletiva para 40 órgãos federais.

O termo de referência justifica a licitação de nuvem “no atacado” de fornecedores privados citando a padronização tecnológica e a redução de custos por compra em escala.

No ano passado, a secretaria de Tecnologia da Informação, do Ministério do Planejamento já havia orientado os órgãos públicos a não investirem mais em infraestrutura própria, recomendando a contratação de computação em nuvem.

Para a Ustore, o acordo é um passo importante na sua consolidação como uma oferta nacional independente de plataforma de cloud broker na nuvem.

Startups dessa área estão em alta e sendo assediadas por grandes empresas. No ano passado, a UOLDiveo adquiriu a Dualtec foi uma das primeiras empresas no Brasil a se posicionar como uma “cloud broker” e uma referência em OpenStack. 

A Tivit fez um movimento igual, comprando a startup mineira One Cloud.

A Ustore, no entanto, conseguiu se manter independente. Em novembro do ano passado, a Algar Tech, empresa de de TI e BPO do grupo brasileiro Algar, fechou um acordo com a startup pernambucana para a criação de um portal multi-nuvem e uma “solução disruptiva” de cloud computing.

Fundada em 2007, a Ustore criou uma tecnologia para armazenamento de grandes volumes de dados, desestruturados e indexados em nuvens distribuídas, baseados numa infraestrutura criada na plataforma open source OpenStack.

A empresa deu um salto em 2015, quando recebeu um investimento de Nelson Campelo, ex-country manager da Avaya e Head Business Solutions para América Latina da Nokia Siemens Networks e de Fabiana Falcone, executiva que havia trabalhado com Campelo na Avaya como gerente de contas sênior e acumula passagens pelas áreas de vendas de empresas como ZTE, Cisco, Huawei e Nortel.

Depois ado aporte, Campelo se tornou CEO do negócio e Fabiana assumiu a área comercial.

Criada em 2007 por um doutorado em Segurança de Sistemas na Universidade Federal de Pernambuco como um player nacional focado em fornecer software para administrar storage na nuvem.

Com esse foco, a empresa faturou R$ 1,8 milhão em 2013 e esperava fechar 2014 com R$ 5 milhões. 

Maurício Renner