Antonio Carlos Valente. Foto: Carlos Della Rocca/divulgação.

A Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês), termo dado para a tendência de dispositivos e aplicações do dia-a-dia conectados à web, é um dos focos da Telefônica Vivo para 2014,

Na contramão das rivais, mais comedidas nesta seara, a companhia espanhola tem se dedicado ao desenvolvimento de novos serviços em tecnologia. Depois de inaugurar um data center de R$ 400 milhões no interior de São Paulo, a empresa agora aposta na internet fora do celular e na conexão de diferentes dispositivos, como automóveis, geladeiras ou medidores de energia.

"Existem ainda diversas dúvidas de como esse serviço será tarifado, quais impostos teremos de recolher, problemas com padronização de tecnologias. Mas não podemos deixar de olhar com atenção para isso", disse Antonio Carlos Valente, presidente do Grupo Telefônica no Brasil, nesta segunda-feira (27), na Campus Party 2014.

O executivo afirmou que uma equipe de aproximadamente 60 pessoas no Brasil já trabalham na criação de serviços IoT, bem como na costura de um modelo de negócio que seja viável para a empresa espanhola.

Embora Valente não tenha divulgado maiores detalhes sobre o investimento realizado em projetos de IoT, ele afirma que este núcleo nacional já desenvolve projetos para cidades fora do Brasil onde o mercado está mais maduro para absorver a tecnologia.

"Nossa equipe nacional tem colaborado com projetos na Europa, por exemplo. Projeto na área de medição de energia e cidades digitais. Desta forma, ganhamos expertise para competir no Brasil no médio prazo", contou Valente.

Entre os maiores projetos capitaneados pela empresa neste segmento está na comunicação entre máquinas (M2M, no inglês). Roberto Piazza, diretor executivo de Serviços Digitais da empresa, aponta um empreendimento de £ 1,5 bilhão no Reino Unido que tem como meta automatizar a medição de energia de dois terços das casas britânicas.

No Brasil, o executivo diz que existem alguns projetos sendo desenvolvidos em sigilo. Contudo, Piazza diz que um grande banco de Varejo vai implantar um sistema de otimização baseado no M2M em parceria com a Telefônica Vivo nos próximos meses.

Além deste projeto, a empresa implementará algumas soluções IoT em Águas de São Pedro, município paulista no qual a companhia finaliza a transformação em cidade 100% digital, em um investimento de R$ 2 milhões anunciado em dezembro do ano passado.

BARREIRAS

Embora sejam altas as expectativas para uma ampla adoção da Internet das Coisas, há ainda entraves. Os desafios incluem mais qualidade na conectividade, padronização das tecnologias e um modelo de tributação que viabilize o desenvolvimento comercial deste mercado.

Hoje, cada aparelho com conexão à rede é contabilizado como um acesso móvel, obrigando as operadoras a recolherem o Fundo de Fiscalização das Telecomunicações (Fistel), o que encarece o custo de conexão. O setor espera a aprovação do decreto que reduzirá a taxa do tributo sobre as operações M2M.

O projeto já aprovado no âmbito do Ministério das Comunicações prevê a redução do tributo de R$ 26,83 para R$ 5,68, mas a medida ainda não tem o aval da Presidência da República.

Outro problema é a questão tecnológica. Muitos aparelhos conectados à internet aumentarão o número de dados trafegando e permitir as conexões funcionando, assim como a gerir todo o volume, exige uma estrutura de fibra óptica nos principais centros do país.

Neste sentido, Valente explica que a empresa vem implementando um processo de aumento do número de casas atendidas por fibra no país. Segundo o executivo, o número de domicílios atingiu 1,5 milhão até dezembro de 2013. A expectativa da companhia é que até dezembro de 2014 o número chegue a dois milhões.

"Todo o mercado precisa ficar atento às redes de fibra ópticas porque serão por meio delas que poderemos oferecer melhores serviços. Compartilhamento pode ser uma saída, estamos abertos a o que possam nos oferecer no futuro", finalizou Valente.