CD-adapco simula o que acontece aí dentro. Foto: Shutterstock

A Siemens adquiriu a fabricante de software para simulação de engenharia (CAE, na sigla em inglês) CD-adapco por US$ 970 milhões.

A companhia adquirida é um competidor de destaque no mercado automotivo, onde suas soluções são usadas para simular o funcionamento de motores em áreas como dinâmica de fluídos e transferência de temperatura de maneira integrada.

Com um faturamento de US$ 200 milhões no seu último ano fiscal e um crescimento médio em moeda constante de 12% nos últimos três anos, a CD-adapco tem 900 empregados e presença em 40 países, incluindo o Brasil, onde tem um escritório em São Paulo.

Os clientes da companhia incluem a NASA, que contratou a CD-adapco depois do desastre da Challenger, em 1986, e a Renaut, que usa o produto na Fórmula 1. 

De acordo com a CD-adapco, a empresa tem 3,2 mil clientes, incluindo 14 dos 15 maiores fabricantes de carros, todos os 10 maiores fornecedores da indústria aeroespacial e nove das dez maiores da área de energia.

Com a aquisição da Siemens, agora é ver o que a multinacional alemã fará com o produto e como os concorrentes no campo de software para design de engenharia vão reagir. 

O software da CD-adapco funciona integrado com os principais produtos de design do mercado, incluindo o NX da Siemens, mas também Catia e SolidWorks da Dassault Systemes e o Creo da PTC. O maior competidor da CD-adapcto é a Ansys.

“A Siemens está adquirindo a CD-adapco e aprimorando seu foco no crescimento nos negócios digitais e ampliando seu portfólio de software. Software de simulação é a chave para permitir que nossos clientes ofereçam melhores produtos ao mercado, com maior rapidez e menores custos", afirmou Laus Helmrich, membro do Conselho de Administração da Siemens.

A compra da Siemens reforça a unidade de Digital Factory da companhia, uma das nove na qual se divide a organização e a mais lucrativa. É nela onde estão companhias como a Siemens PLM, responsável pela oferta de software de design (CAD) e gestão de ciclo de produto (PLM).

Nos últimos dois anos, a Siemens tem vendido unidades e buscado focar nos negócios mais lucrativos. Um deles é a área de soluções digitais, que é uma pequena parte de um gigante: só 5% dos 350 mil funcionários da multinacional alemã são engenheiros de software.