Um país fascinante. Foto: Shutterstock.

O mundo da TI tem lá suas mecas. Ao menos uma vez na vida, startuperos devem visitar o Vale do Silício. Há toda uma mitologia por trás - começando pela garagem onde Steve Jobs teria começado a Apple. Mais recentemente, Austin virou febre entre os criativos digitais. Mas esses lugares, no fim das contas, acabam sendo mais do mesmo. Afinal, nos cafés e nas rodinhas de conversas só se fala de aplicativos, ou blockchain ou engajamento. Às vezes, sobre engajamento para aplicativos que usam blockchain. Nada menos inspirador e dentro da caixa do que isso, não é mesmo? A sorte é que existe um lugar que exala arte e cultura há mais de mil anos, que já produziu algumas das tecnologias mais tops que o mundo já viu e está mais acessível do que costumamos imaginar. Estamos falando do local que abrigou a mais brilhante entre as civilizações do mundo antigo. Quem sabe não é chegada a hora de programar sua viagem para o Egito

Muito além das Pirâmides de Gizé e da Esfinge, o país conta com uma enorme gama de opções inspiradoras para quem está precisando descansar a cabeça e dar vazão ao ócio criativo. Já imaginou a quantidade de ideias que podem surgir durante um cruzeiro pelo Nilo? Ou então, durante uma caminhada pelo Vale dos Reis, nos arredores de Luxor? E por que não conhecer o local onde foi inventado o “gadget” mais importante da história: o papiro. 

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Antes do papel, a transmissão de conhecimento era feita pela tradição oral ou por escrituras nas pedras - tal como nas Tábuas dos Dez Mandamentos do Velho Testamento. Moisés teve ter tido um trabalhão para levar aquele peso de um lado para o outro. Sem papiro, não haveria o papel. Sem o papel, a transmissão do conhecimento seria muito lenta e pouco abrangente. A invenção do papel quebrou um galhão para o povo da época e ajudou a fortalecer aquela que é uma das características que mais nos diferencia dos outros animais: a transmissão social do conhecimento de geração para geração.

Outra coisa que nos diferencia dos outros animais é a poesia. Em síntese, a poesia é única forma de expressar aqueles sentimentos humanos que são rasos e profundos simultaneamente. E o Egito está repleto de poesia, seja na forma de monumentos, seja nas suas lendas e alegorias. Um dos lugares mais poéticos para se visitar é o Templo de Philae, erguido em adoração à Isis, divindade de enorme importância na liturgia egípcia desde priscas eras até o período ptolomaico, de dominação greco-romano. Isis é chamada de Deusa do Amor porque, na narrativa mitológica, resgatou os restos mortais de seu amado marido, Osíris, tendo se refugiado logo depois justamente na ilha de Philae, onde criou seu filho Horus que, eventualmente, vingou a morte de seu pai pelo seu tio Set, restabelecendo seu governo sobre os homens da Terra.  

A rainha Cleópatra, personagem histórico, ela mesma considerada filha de Isis, visitava regularmente o Templo de Philae em devoção à sua “mãe” protetora.  O templo, se não tem a mesma magnificência do templo de Abu Simbel, ganha na delicadeza e nos detalhes que remetem à feminilidade, à fertilidade, à pureza e ao amor - no sentido reprodutivo da palavra. A ilha de Philae fica localizada logo acima da primeira das cataratas do Nilo, na cidade de Aswan, região da Núbia. 

Entre Aswan e o Cairo fica a imperdível cidade de Luxor, considerado o maior museu aberto do mundo. Nos arredores de Luxor fica o Vale dos Reis, local onde foi encontrada por Howard Carter em 1922 a famosa tumba do faraó Tutankhamon. É nesse vale que o sarcófago do rei Tutankhamon foi descoberto e hoje é um local de intensa visitação. Estima-se que mais de setenta “reis” repousam nas tumbas do local que, à primeira vista, pode não impressionar, já que só se vê montanhas áridas na chegada. A grande beleza e riqueza do local está abaixo do solo, nas tumbas que contém os sarcófagos das múmias mais bem preservadas que foram encontradas em todo o Egito.   

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Mas, se você não é um empreendedor digital, mas um maker, por que não alavancar seus conhecimentos visitando as Grandes Pirâmides? Aliás, falando em alavanca, lá você poderá entender (ou tentar entender) como foi possível erguer enormes blocos de pedras a mais de cem metros de altura. Haja makers para tal tarefa! 

Ainda hoje não há consenso no meio acadêmico sobre como as Grandes Pirâmides foram construídas. Alguns argumentam que com muita gente, muitas cordas e muitas alavancas, era perfeitamente possível construir aqueles enormes monumentos. Já outros apostam na tese que que as pedras eram erguidas por meio de complexos e engenhosos sistemas hidráulicos, nos quais as pedras subiam com ajuda de bóias flutuantes. A única certeza é que teses e teorias sobre sua construção dá muito pano pra manga. Ver de perto a única das Sete Maravilhas do Mundo Antigo que permanece em pé pode ser a chave que falta para resolver os enigmas que rondam o seu dia-a-dia. 

* Fotos cedidas pela Memphis Tours.