Cartão serve para transporte público e pagamentos. Foto: Visa.

O RioCard, cartão usado no transporte público do Rio de Janeiro, poderá agora ter também dinheiro para gasto em estabelecimentos comerciais, por meio de uma parceria com a Brasil Pré-Pagos e a Visa.

A parceria abre possibilidades para a Brasil Pré-Pagos e a Visa de atenderem a um segmento da população sem conta no banco por um lado, assim como expandir o uso do cartão pré-pago em segmentos mais bem de vida da população.

O RioCard tem cerca 6 milhões de usuários no Rio de Janeiro, dos quais a companhia estima que 40% não tenham conta bancária. Eles usam o cartão para pagar trens, metrô, ônibus, VLT, BRT, barcas, teleféricos e vans legalizadas do Rio de Janeiro.

Por R$ 25 esses usuários podem emitir um cartão Visa com a Brasil Pré-Pagos. As 120 mil companhias que pagam vale transporte através da Riocard poderiam pagar salários no chamado RioCard Duo.

Em segmentos de renda mais elevada, que já tem cartões, a iniciativa pode atender necessidades como servir como um receptáculo de mesada (com a vantagem dos pais poderem acompanhar os gastos) ou de ajuda para pais idosos, por exemplo.

“É o primeiro cartão que agrega a função de transporte multimodal junto à possibilidade de realizar pagamentos por meio de um pré-pago Visa em toda a América Latina”, explica Percival Jatobá, vice-presidente de Produtos da Visa do Brasil.

Durante a apresentação do RioCard Duo, nesta quarta-feira, 27, no Museu de Arte do Rio de Janeiro, muita ênfase foi dada à utilidade que a novidade poderia ter para os turistas aguardados para a Olimpíada, que começa na cidade em nove dias.

A Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio de Janeiro (ABIH-RJ), espera 500 mil turistas para os quais um cartão pré-pago do tipo é mesmo uma boa opção. A Brasil Pré-Pagos começou no mercado atendendo esse nicho com uma operação de câmbio.

Passadas as Olimpíadas, no entanto, há mais em jogo. Para a RioCard, a capacidade de fazer esse tipo de acordo pode servir para abrir portas em outras regiões do pais, por exemplo.

Formada por empresas de ônibus do Rio de Janeiro em 2004, a RioCard já domina o mercado carioca de transporte público, um dos mais sofisticados do país do ponto de vista de integração entre diferentes modais de transportes.

Através do chamado BilheteRio, uma viagem iniciada em um ônibus pode ser concluída de metro ou VLT, sem que isso signifique a cobrança de novas passagens para o usuário, como é a praxe em cidades americanas ou europeias.

Com isso, a RioCard já cobre 85% do estado do Rio de Janeiro, onde o uso do transporte público já é pago com o cartão em 80% das ocasiões. A maior parte da frota carioca já aboliu a figura do cobrador como uma consequência disso.

“Queremos levar a nossa experiência para outras partes do Brasil”, afirma Cassiano Rusycki, diretor-executivo da RioCard, revelando que a companhia está em conversas com outras duas cidades brasileiras.

Da mesma forma, a Brasil Pré-Pagos pode entrar em novos nichos de mercado. Desde a fundação, há três anos, a companhia já emitiu 1 milhão de plásticos. Mas o uso mais comum é “descartável”, como no caso de um turista ou alguém que recebe um presente.

Projetos como o RioDuo criariam uma base constante de usuários. Uma abordagem similar está sendo usadas com clubes de futebol como o Flamengo e o Atlético Paranaense, que disponibilizam carteiras digitais junto com seus cartões de sócio.

“Nosso objetivo é seguir criando formas de uso que agreguem valor para os usuários”, afirma presidente da Brasil Pré-Pagos, Paulo Renato Della Volpe.

* Maurício Renner viajou ao Rio de Janeiro a convite da Visa.