Entre os apps criados pela Vale estão ferramentas focadas na manutenção de vagões. Foto: Divulgação.

A Vale, uma das maiores empresas de mineração do mundo, tem investido na criação de aplicativos como um dos pilares da estratégia de transformação digital da companhia. Hoje, a loja de apps interna da empresa conta com 31 ferramentas.

A maior parte dos aplicativos, focados em fazer com que os empregados realizem por celular ou tablet as atividades que antes eram feitas em computadores ou papel, foi desenvolvida internamente.

O time de TI da companhia fica dividido entre Vitória, em que a empresa tem um centro de desenvolvimento, Rio de Janeiro e Toronto, no Canadá (onde fica alocado Pavan Sharma, gerente de soluções digitais móveis da Vale).

Com os aplicativos, a empresa busca tornar o trabalho dos empregados mais eficiente, reduzir custos de manutenção de equipamentos pesados por meio de processos de otimização e alcançar melhores indicadores de saúde e segurança .

Entre os novos apps, há ferramentas voltadas para áreas como segurança interna e manutenção, que são integradas com o ERP da companhia, fornecido pela SAP. 

“O modelo de adoção é variado entre os mais de 30 aplicativos. Alguns são obrigatórios e contam com o fornecimento de celulares e tablets da empresa, enquanto outros são opcionais e se encaixam na tendência de BYOD (traga seu próprio dispositivo). Hoje, 80,4% dos acessos vem de aparelhos Android”, explica Sharma.

Um dos apps é focado em avisar que o conserto de um vagão de trem já está pronto. 

As oficinas da Vale fazem manutenção de vários equipamentos, como os caminhões fora de estrada, que carregam até 400 toneladas de minério de ferro, e as centenas de vagões de trem que servem às duas ferrovias que a empresa opera.

Antes da criação do aplicativo, a equipe de Planejamento preenchia uma folha de papel com a ordem de manutenção para os equipamentos e um empregado levava esse papel até a oficina, em que o mecânico descrevia o que era feito, em quantas horas e com quais peças. Em seguida uma pessoa buscava o papel e o levava para o escritório, depois digitava tudo no computador e inseria no sistema.

Com o aplicativo chamado Siga Brizzo, o mecânico recebe a ordem de manutenção de forma online. Foram distribuídos 2.500 coletores de dados (mais conhecidos como palmtops) e 500 tablets Android pelos quais os empregados das oficinas consultam a ordem de manutenção, inserem todos os dados do serviço e os enviam para a área de planejamento. 

Para atingir a meta de dano zero (ou seja, não registrar nenhum acidente com lesão), os controles de saúde e segurança vêm sendo reforçados com a ajuda de quatro aplicativos. 

Um deles é usado para inspeções; outro para relatar incidentes ou "quase-acidentes" - é possível até tirar fotos do ocorrido para enviar à equipe que fará uma investigação sobre suas causas com o objetivo de identificar os responsáveis e aperfeiçoar os controles.

Outros dois aplicativos estão disponíveis aos empregados para denunciar situações de risco, que podem ser centradas na matéria (como um bueiro sem tampa ou um corrimão de escada solto) ou na pessoa (por exemplo: avisar quando um empregado não está usando o equipamento de proteção individual de forma adequada).

A empresa conta também com uma ferramenta para informar que foi terminada uma viagem de trem. Antes, por uma questão operacional, o profissional que encerrava seu trajeto precisava registrar todas as atividades ocorridas ao longo do caminho, como se ocorreu algum incidente. 

No entanto, em algumas paradas ao longo da ferrovia os maquinistas se alojam em hotéis, que nem sempre têm computadores disponíveis. Além disso, em algumas situações o maquinista termina seu percurso de trem e é levado por um motorista da Vale de volta para sua cidade de origem. 

Antigamente, ele tinha de ser levado até a empresa somente para acessar o sistema pelo computador e só então podia pegar um táxi para casa.  

Com o aplicativo de celular, os maquinistas podem registrar todas as suas atividades. Assim, eles ganham até uma hora no retorno de suas viagens, eliminando o deslocamento até a sede da empresa. 

A Vale também lançou um app para o profissional indicar quais são os defeitos de um vagão de trem após uma viagem.  

Os trens operados pela Vale viajam 979 quilômetros entre as minas de Carajás, no Pará, e o porto de Ponta da Madeira, em São Luís. Quando chegam ao porto, os trens são acoplados a um equipamento chamado "virador de vagões", momento em que dois empregados aproveitam para conferir se há algum defeito.. 

Os que têm problemas pequenos vão para as equipes de pátio e, em caso de defeito crítico, o vagão é retido. São mais de 50 defeitos possíveis e ainda é preciso indicar em que parte do vagão está o problema. Por dia costumam ser registrados 139 defeitos por virador.

Antigamente, tudo era anotado em papel pelo inspetor para que outro empregado pudesse repassar tudo para o computador. 

No ano passado foi desenvolvido um aplicativo para tablet em que esses dados podem ser inseridos diretamente no sistema pelo inspetor. A novidade começou a ser implantada em abril. 

Além da mobilidade, a estratégia de transformação digital da Vale aposta em TI industrial para promover o uso da internet das coisas (IoT) e análise avançada de dados para prever e solucionar problemas.