Petrobras está sob escrutínio do Congresso. Foto: foto/Petrobras.

Cristina Palmaka, presidente da SAP Brasil, depôs hoje na CPI da Petrobras, e disse que a empresa nunca pagou propina a funcionários da estatal em troca de contratos. 

A executiva foi convocada a depor pelo deputado João Carlos Bacelar (PR-BA), que baseou sua requisição em críticas feitas por Eike Batista à atuação da SAP na Petrobras em uma palestra na USP em 2010.

Na ocasião, quando ainda desfrutava do prestígio atrelado ao crescimento vertiginoso do Império X,  Batista disse que suas companhias passavam longe de grandes fornecedores como Oracle e SAP.

No vídeo, Batista afirma, sem citar a origem da informação, que a implantação do sistema de gestão da SAP na Petrobras custou, entre licenças, treinamento e customizações, US$ 5 bilhões, cinco vezes mais do que o preço estimado inicialmente. 

“O maior acionista captador de dividendos da Petrobras são os alemães da SAP. Dorme com essa”, provoca Batista no vídeo, antes de começar a tecer elogios à Salesforce. 

No começo do trecho da palestra disponível no Youtube, o empresário diz que os sistemas das suas empresas foram desenvolvidos pelo seu irmão.

Questionada sobre o assunto pelo relator da CPI, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), Cristina disse que os valores divulgados por Batista foram “infundados e incorretos” e nunca viraram uma denúncia contra a empresa.

“A SAP não pagou nada. As políticas proíbem o pagamento de comissão. Não existe nenhum processo judicial que envolva a empresa”, afirmou Palmaka, que se comprometeu a enviar à CPI os contratos da Petrobras com a empresa, assim como outras informações.

A Petrobras decidiu pela adoção do ERP da SAP em 1999, em um projeto destinado a substituir mais de 1,5 mil sistemas internos da empresa. A implantação envolveu 24 mil usuários e 2,7 mil profissionais da SAP e da Bearing Point.

O projeto de implantação durou cinco anos, e, de acordo com o divulgado pela Petrobras em 2003, custou US$ 260 milhões, com projeção de trazer economias de US$ 450 milhões nos cinco anos seguintes.

Também produção, refino, distribuição, estoque e finanças serão abrangidas pelo sistema, com cerca de 24 mil usuários. Mais de 2,7 mil pessoas foram mobilizadas para a implantação, entre as quais profissionais da SAP e da consultoria Bearing Point.