Light vai criar um chatbot do zero. Foto: Divulgação.

A Light, companhia de energia com atuação no Rio de Janeiro, vai criar um chatbot para atendimento por meio de um projeto conjunto com o departamento de Engenharia Elétrica do Centro Técnico Científico da PUC-Rio. 

O projeto, com duração prevista de 18 meses, visa construir um chatbot do zero, sem uso de plataformas de inteligência artificial que tem sido usada para a criação desse tipo de ferramentas, fornecidas por companhias como IBM, Microsoft e Amazon.

É uma decisão chamativa, tendo em conta a grande oferta de empresas fazendo chatbots no país com base nesse tipo de tecnologia.

De acordo com um levantamento da Mobile Time, são 66 empresas nesse mercado no país.

Para a professora Karla Figueiredo, do  Laboratório de Inteligência e Robótica Aplicadas da PUC-Rio e uma das coordenadoras do projeto, a decisão de fazer o chatbot dessa forma é a correta.

“Vai parecer conversa de professor, mas não é. Um robô como o que a Light se propõe fazer é um assunto mais complicado do que parece”, explica Karla.

De acordo com a professora da PUC-Rio, alguns dos fatores envolvidos são a necessidade de integração com os sistemas da Light, para que o chatbot opere tendo em conta o histórico do usuário, além de outros fatores como a grande diversidade de problemas e perfis de usuários.

A Light está presente em 31 municípios do Estado do Rio de Janeiro, abrangendo uma região com mais de 10 milhões de pessoas.

O departamento de Engenharia Elétrica da PUC-Rio já realiza pesquisas sobre inteligência artificial há 24 anos, e, bem, é especializado também em engenharia elétrica.

“Queremos combinar os dois principais modelos de chatbots: o processamento hierárquico e o modelo de processamento de linguagem natural”, avalia Karla.

A decisão da Light de fazer um chatbot do zero pode ter sido influenciada pelo fato das empresas de energia elétrica do país terem incentivos fiscais da Aneel, agência regulatória do setor, para investir em pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias.

Em todo caso, o mercado de chatbots no Brasil pode estar chegando em um ponto de mudança.

As primeiras grandes implantações de chatbots no país datam do início de 2017, mas o número de serviços do tipo ativos no país é de 17 mil, e acordo com o levantamento da Mobile Time.

A pesquisa aponta que 61% dos desenvolvedores relatam que a maioria dos seus robôs de conversação oferece uma conversa aberta, enquanto 39% dizem que a maioria dos seus projetos é de diálogos guiados por botões. 

Entre os desenvolvedores que usam processamento de linguagem natural (PLN), 33% dizem que o motor varia de acordo com o projeto; 30% têm motor próprio; 24% usam o IBM Watson e 10% usam de outros fornecedores.

Das 66 empresa, 43 tem sede em São Paulo. Quase metade das companhias (32) produziram entre 11 e 100 bots durante seu período de mercado. Já 21 empresa criaram entre 1 e 10 robôs de conversação. Apenas oito fizeram mais de 100 bots, enquanto quatro companhias desenvolveram mais de 1 mil.