Bradesco é parte de um grupo seleto. Foto: divulgação.

O Bradesco, o segundo maior banco do Brasil, é o primeiro cliente no país do Watson, plataforma de computação cognitiva que é a grande aposta da IBM no momento.

A organização brasileira faz parte de um grupo de cerca de 10 pioneiros em todo mundo, a maioria bancos, incluindo também o mexicano Banorte, a financeira sul africana MMI, a espanhola Caixa, a multinacional francesa de farmacéutica Sanofi, entre outros.

A revelação foi feita por Steve Gold, vice presidente do Watson Group da IBM, durante apresentação para imprensa no IBM Insight 2014, mega conferência da multinacional sobre big data e analytics em Las Vegas, nos Estados Unidos.

Além disso, Gold revelou que São Paulo, onde está sediado o Bradesco, será uma das cinco cidades no mundo escolhidas para abrigar centros de experiência com tecnologia Watson em todo o mundo, junto com Dublin, Londres, Melborne e São Paulo. Uma tradução para português do Brasil também está em curso.

Ainda em julho, Mike Rhodin, vice-presidente sênior da IBM e principal executivo do Watson Group, participou de reuniões com potenciais clientes empresariais e com companhias interessadas em desenvolver aplicações em conjunto com a multinacional no Brasil.

Marcelo Spaziani, vice presidente de Software da IBM para América Latina, preferiu não comentar o projeto em curso no Bradesco, mas ofereceu um exemplo da conhecida ousadia dos bancos brasileiros quando o assunto é adoção de tecnologia.

De acordo com o executivo brasileiro, ainda em 2007 a empresa fez provas de conceito de uma solução de reconhecimento facial que alertava os gerentes de um banco não revelado sobre a chegada de clientes importantes, em um alerta que incluía a carteira recente de investimentos.

"Bancos são um cliente chave quando o assunto são soluções analíticas. Outros mercados com bom potencial são empresas de seguros e de telecomunicações. São companhias que detém muitos dados sobre os clientes e podem agir de maneira customizada sobre eles", comenta Spaziani.

No caso do projeto Watson, deve ter colaborado com o fechamento do negócio a relação de confiança existente entre a IBM e o Bradesco. 

Em julho, a multinacional de TI comprou a estrutura operacional da área de suporte e manutenção de hardware e software da Scopus, empresa controlada pelo Bradesco e que tem entre seus maiores clientes o próprio banco.

O Watson é uma plataforma da IBM que é capaz de responder perguntas formuladas usando linguagem natural e uma das grandes apostas da multinacional no seu novo posicionamento como uma empresa de computação em nuvem, big data e analytics. 

No começo do ano, a IBM anunciou que o projeto, até então experimental (o Watson saltou a fama ao ganhar o tradicional programa de TV americano Jeopardy) se tornaria uma empresa, com investimento de US$ 1 bilhão, dos quais 10% iriam para um fundo de investimentos em startups da área.

Apesar da badalação, o Watson é ainda uma startup, pelo menos no universo no qual a IBM se move. A divisão emprega 1,4 mil funcionários e faturou US$ 100 milhões, contra os 431 mil funcionários e US$ 99,3 bilhões da nave mãe.

* Maurício Renner cobre o IBM Insight 2014 em Las Vegas a convite da IBM.