Roberto Sobol e o Galaxy S. Foto: Baguete.

Desde o ano passado, fabricantes de dispositivos móveis como a Samsung já estão apostando nos wearables como um novo impulso para a venda de produtos. Entretanto, para a fabricante, o Brasil ainda deve levar mais um tempo para de fato abraçar estas tecnologias.

"Acredito que ainda vá levar mais uns dois anos para quem a adoção seja maior", afirmou Roberto Sobol, diretor de produtos móveis da Samsung no Brasil, que esteve em Porto Alegre para apresentar à imprensa as apostas da empresa para o final do ano.

A grande aposta foi no lançamento do aparelho carro-chefe da marca para o segundo semestre - o phablet Galaxy Note IV, que chega às lojas pelo preço de R$ 2,9 mil, contando com uma tela HD Super AMOLED de 5,7 polegadas. É o claro rival da marca para o recém lançado iPhone 6 Plus, da Apple.

Na parte de wearables, a companhia conta com os smartwatches Gear 2 e Gear S, dispositivos que podem ser pareados com os smartphones Android da marca. Embora eles já estejam à venda no país - por R$ 1 mil e R$ 1,6 mil, respectivamente - Sobol aponta que ainda são produtos para early adopters.

"Nosso objetivo é de trazer as novidades o mais rápido possível para os clientes brasileiros mais interessados em tecnologia. Para estes usuários, esperamos uma boa aceitação agora nesta temporada de Natal", aponta o executivo.

Para completar a oferta de wearables, a Samsung também venderá no Brasil o headset-colar Gear Circle e a pulseira inteligente Gear Fit. Ambas custarão R$ 699.

"Estamos mirando o marketing dos wearables para as aplicações de saúde, com tecnologias de monitoramento de batimentos cardíacos, distância percorrida. É um bom ponto de entrada para popularizarmos estes gadgets", destacou Sobold.

Embora a companhia não abra números sobre a participação dos wearables em seu atual negócio de dispositivos móveis, a empresa não esconde que está empolgada com o potencial que eles podem representar, tanto globalmente quanto para o país.

"É algo que enxergamos para mais na frente, mas também esperamos um crescimento rápido. Atualmente mais da metade de nossa base de telefones móveis vendidos são de smartphones, e este foi um crescimento de mais de quinze pontos percentuais em cerca de um ano e meio", explica.

A citação remete a junho de 2013, quando a companhia parou de fabricar feature phones no país, se dedicando apenas à venda de smartphones. "Acredito que os wearables podem crescer numa velocidade semelhante", completou o diretor.

Além disso, a companhia anunciou planos de abrir uma loja digital dedicada à venda de aplicativos para seus wearables, chamada de Gear Store e prevista para 2015.

Enquanto isso, o mercado ainda espera pelo boom dos wearables, uma promessa global já anunciada para 2014, mas que ainda não vingou. Um dos principais exemplos é o Google Glass, que de gadget chave da "revolução dos wearables" já passou a ser visto com descrença por alguns analistas.

Segundo a Reuters, desenvolvedores para o wearable estariam perdendo o interesse na produção de apps, frente à demora do Google ao levar o produto para o consumidor geral. A promessa da empresa era de que no início de 2014 o Glass chegasse às lojas. Agora a data de lançamento foi empurrada para 2015, sem maiores detalhes.

De dezesseis software houses que desenvolviam aplicações para o Glass, nove delas afirmaram que interromperam ou abandoram seus projetos para o produto, devido à falta de público consumidor ou restrições do aparelho.

Nesse meio tempo, empresas como Samsung, Microsoft e até mesmo a Apple já lançaram ou anunciaram seus wearables para o grande público. A Samsung, por sua vez, já fez três lançamentos do tipo.