Um grupo de cinco sócios investiu R$ 2 milhões em um sistema RFID nacional.

A Smart Moving Systems (SMS) chega ao mercado como pioneira em soluções em identificação por radiofrequência RFID (Radio-Frequency IDentification) com tecnologia nacional. Um grupo de cinco sócios investiu R$ 2 milhões no negócio.

O sistema pode ser utilizado em diversas situações, desde controle de estoque e armazenamento até fluxo de pessoas e produtos.

Apesar das tags ainda serem importadas, a empresa fabrica os outros equipamentos necessários para o sistema, como leitores e antenas, além da tecnologia embarcada e um software de gerenciamento que pode ser incoporado aos ERPs de empresas como SAP, Oracle e Totvs.

Segundo Pierre Mutto, sócio-diretor da SMS, o valor de um projeto completo de RFID (incluindo o software) feito pela empresa pode ficar cerca de 60% mais barato do que o que as empresas brasileiras conseguiriam anteriormente.

“Sem a SMS, era preciso conseguir equipamentos, instalação e integração com empresas diferentes, além de importar muitos materiais”, explica.

Segundo ele, o sistema da SMS RFID traz vantagens em relação a sistemas tradicionais como o código de barras, pois é mais resistente ao manuseio e permite gravação e elevada precisão e automação. 

O sistema tem capacidade para reconhecer aproximadamente 100 itens por leitura, frente à leitura única do código de barras.

Atualmente, a SMS tem protótipos em cinco empresas, entre elas AmBev, Paranapanema e Calvin Klein.

Entre os diversos usos das etiquetas RFID está a organização e logística de máquinas de estocagem. Na AmBev, testes do sistema nas empilhadeiras mostraram aumento de eficiência e segurança dos negócios. 

A solução foi feita sob medida para a multinacional do setor de bebidas para monitorar a movimentação de 800 empilhadeiras espalhadas por fábricas e armazéns do país, obtendo redução de 45% no número de acidentes de trabalho.

O foco da SMS para o início da venda do sistema está no mercado de centros de distribuição. 

“Praticamente 99% das empresas não têm controle de logística, estoque, pessoas, movimentação e rastreabilidade de seus produtos. A SMS pode atuar em diversas áreas da indústria, mas vamos começar os negócios por este nicho de mercado”, explica Mutto. 

Mutto é formado em Ciências da Computação e pós-graduado em Marketing. Com mais de 16 anos de atuação nas áreas comercial e de marketing de empresas como Xerox, Embratel e Prophix, ele afirma ter vivência envolvendo negociações complexas para a transferência de tecnologia eletrônica estrangeira para o Brasil.

Para 2015, a startup tem meta de faturamento de R$ 8 milhões em novos negócios, a partir da finalização de seu software até o final deste ano.

A projeção da empresa é de conquistar 3 novos clientes a cada trimestre, fechando 2015 com 12 novos.

Um fator que deve colaborar para o crescimento da empresa é o Brasil ID, um projeto do governo federal para introduzir identificação por RFID na movimentação de cargas do país, facilitando a fiscalização de tributos.

Atualmente nas suas fases iniciais, o projeto deve operar com a mesma lógica da nota fiscal eletrônica, com um piloto em seis transportadoras, apoiada por algumas empresas de tecnologia como Honeywell e Semp, sendo em breve expandido para adoção obrigatória por segmentos.

O projeto também incentivou outras empresas a apostarem no segmento.

Em outubro, a Totvs inaugurou em Joinville um centro de desenvolvimento de soluções de supply chain, o CEISupply, que deve ser o ponto focal da estratégia da empresa para levar aos clientes novidades como o RFID, wearables e aplicações para dispositivos de aproximação, os chamados iBeacons.