IPO 2, A MISSÃO

Tivit prepara nova abertura de capital

27/11/2018 09:44

Empresa está de olho na empolgação de investidores com o “Efeito Bolsonaro”.

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A Tivit registrou pedido com a Comissão de Valores Mobiliários para ter a opção de abrir as suas ações na Bovespa até o final de 2018 ou no começo de 2019.

Caso aconteça, a movimentação marcaria uma volta da Tivit para a bolsa, depois de que o fundo britânico Apax comprou o controle do negócio e tirou os papéis do mercado em 2010, um ano depois da primeira abertura.

A informação sobre o procedimento de reabertura é da Computerworld, que entrevistou Carlos Gazaffi, novo presidente executivo da empresa. O ex-CCO e VP de TI da Tivit foi promovido em agosto, em uma movimentação revelada com exclusividade pelo Baguete.

“Ser pública traz uma série de vantagens para clientes em termos de governança e transparência de resultados para o mercado. É muito bom para a indústria", comentou Gazzafi à Computerworld.

Quando abrir, no entanto, é uma questão de timming e o nível de empolgação de investidores estrangeiros com o Brasil.

No ano passado, a Tivit fez uma tentativa de nova abertura, mas desistiu por conta de condições não favoráveis no mercado. 

Segundo a agência de notícias Reuters, investidores consideraram alto o valor de R$ 4 bilhões de proposto pela companhia. A Apax pagou R$ 1,6 bilhão por 53% da empresa. 

Nos últimos tempos, o PagSeguro fez um IPO muito bem sucedido, o que já levou a Stone e a BMG a fazer registros para uma abertura de capital. Todas elas se enquadram no segmento de fintechs, que está em alta com os investidores.

A Tivit é uma empresa de serviços de TI, um segmento menos glamouroso. 

De qualquer forma, a companhia acaba de se estruturar em quatro áreas, sendo uma delas pagamentos digitais, responsável por suportar grandes empresas de pagamentos no Brasil, o que coloca a Tivit no centro do mercado em alta.

As outras são plataformas tecnológicas, que inclui o portfólio de infraestrutura; pagamentos digitais; serviços de nuvem, para ajudar clientes em abordagens de nuvem híbrida e a unidade de digital, com foco no uso de tecnologias emergentes.

Além disso, a Tivit tem expectativa de uma retomada do otimismo do mercado com o "efeito Bolsonaro", caso emplaque a agenda de austeridade fiscal e privatizações do governo.

No cargo de presidente executivo da Tivit, Gazaffi controla a gestão do negócio e o relacionamento com áreas de suporte e operações.

Luiz Mattar segue como CEO da Tivit, com “foco na estratégia de crescimento e no relacionamento com os principais stakeholders externos da Tivit”.

A Tivit não abriu detalhes, mas parece um arranjo focado numa transição gradual de poder, com uma eventual ida de Mattar para o conselho de administração.

Os dois tem bastante tempo de casa. Mattar foi cofundador da Tivit, em 1998. Gazaffi entrou ainda em 2003, como gerente de entrega de serviços para o Losango, um cliente da Tivit.

Desde então Gazaffi vem galgando posições, passando pela diretoria de vendas e a vice presidência da área de infraestrutura de TI e aplicações até assumir o cargo de COO em 2017.

A Tivit vem passando por mudanças nos últimos anos, dos quais a mais radical foi a decisão de separar suas operações de TI e terceirização de processos de negócios (BPO, na sigla em inglês), criando uma nova companhia especializada em BPO, a Neobpo.

Segundo fontes ouvidas pelo Baguete, a estratégia visava separar o negócio de BPO, que tem baixas margens,  tornando a área de TI um negócio mais rentável e atrativo para investidores. 

De acordo com o Valor Econômico, a Tivit tem um faturamento estimado em R$ 1,8 bilhão. Mesmo descontando a fatia do que veio a se tornar a Neobpo (cerca de R$ 700 milhões) a empresa é menor do que os R$ 2,5 bilhões projetados em 2014 para o ano de 2015.

Sob a nova liderança, a Tivit deve enfatizar seu posicionamento como um player em soluções serviços de TI e, cada vez mais, computação em nuvem.

A empresa fez movimentos nesse sentido, mas a verdade é que eles parecem não ter surtido muito efeito.

A Tivit anunciou em 2016. um investimento de R$ 46 milhões para ampliar sua oferta de computação em nuvem (é relativamente pouco dinheiro nesse universo).

Além de investir na construção de nuvens locais, o aporte previa a ampliação da oferta com a adoção de um modelo multicloud. 

Esse posicionamento foi reforçado meses depois com a compra da mineira One Cloud, uma startup mineira especializada no chamado serviço de “cloud broker”.

Com a tecnologia da One Cloud, a Tivit pode oferecer a seus clientes uma forma de comparar, comprar e pagar serviços de provedores como AWS, Microsoft Azure, Softlayer e Digital Ocean.

UOL Diveo e Algar, dois grandes concorrentes da Tivit, anunciaram movimentos nessa mesma direção.

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