Projeto de IoT em Campinas terá investimento total de R$ 9,89 milhões. Foto: Carlos Bassan/Prefeitura.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou a primeira operação de apoio a projeto-piloto de Internet das Coisas (IoT) aplicada ao ambiente urbano. Um projeto do CPQD para experimentos de soluções de IoT em segurança e iluminação pública será realizado Campinas.

A iniciativa faz parte da seleção de 15 projetos-piloto de internet das coisas feita em 2018 pelo BNDES. O edital teve foco em soluções para cidades inteligentes, ambiente rural e saúde.

Com perspectiva inicial de orçamento de R$ 15 milhões, a diretoria do banco de fomento aprovou uma ampliação do orçamento para R$ 30 milhões devido à "elevada quantidade e ao bom nível dos projetos”.

O projeto em Campinas terá investimento total de R$ 9,89 milhões - sendo R$ 2,98 milhões aportados pelo BNDES em recursos não-reembolsáveis. 

A proposta contempla os testes de uso e iniciativas de divulgação e fomento à cadeia de soluções de IoT, como a criação de um centro de demonstrações, publicação de resultados e realização de encontros entre startups e potenciais interessados nos serviços.

Um dos pilotos consistirá na adaptação do sistema de videomonitoramento da cidade, através da instalação de 22 novas câmeras e implantação de sistema de visão computacional. 

O equipamento poderá identificar automaticamente situações que indiquem possíveis ameaças à segurança pública. 

O segundo projeto a ser testado envolve o videomonitoramento de placas de veículos incorporando tecnologia de processamento computacional em 103 pontos. 

Enquanto o sistema atual demanda a instalação de cabos de fibra ótica para transmissão das fotos das placas (que são “lidas” remotamente), o novo modelo utiliza câmeras inteligentes que convertem a imagem em caracteres e os transmitem para a nuvem por meio de rede celular. 

Nele, apenas as informações relativas a veículos identificados como de especial interesse - como carros roubados ou registrados em nome de investigados - são enviadas. 

Outra iniciativa ligada à segurança pública é a instalação de 100 estações que medirão em tempo real velocidade e direção do vento, temperatura e umidade do ambiente e volume de chuva. Cada uma cobrirá uma área de 5 km2.

As estações serão conectadas por meio de uma rede de baixo custo de tráfego de dados e com ampla área de cobertura. 

A área de iluminação pública também terá um projeto-piloto com a instalação de um sistema composto por 350 módulos de telegestão. Cada luminária contará com luzes de LED com ajuste de intensidade, possibilitando economia de energia, além de módulos que permitirão o controle remoto.

O sistema possibilitará a medição do gasto de energia em cada ponto. Com isso, a cobrança deixará de ser feita com base em uma estimativa e refletirá o efetivo consumo. 

A rede constituída pelo conjunto de módulos também servirá de plataforma de comunicação para o teste de serviço de transporte com carros elétricos compartilhados. A tecnologia pode vir a incorporar novos serviços de cidades inteligentes, como lixeiras e bueiros conectados.

Todo o trabalho na cidade será acompanhado por um comitê composto por membros do BNDES, MCTIC, CPqD e FIA e seus resultados estarão disponíveis de forma ampla à sociedade.

O projeto não será o primeiro desenvolvido em Campinas na área de cidades inteligentes.

Em março de 2018, a prefeitura da cidade firmou um Memorando de Entendimento com o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD) e a empresa chinesa Huawei para colaboração em pesquisa e experimentação de soluções de tecnologia da informação e comunicação aplicadas à segurança pública.

A escolha da cidade foi decorrente do porte e importância econômica adequados para testes de soluções avançadas de segurança pública. O objetivo da iniciativa era ampliar a capacidade de monitoramento por meio de câmeras e sistemas inteligentes.

Além disso, Campinas foi eleita a cidade mais inteligente e conectada do Brasil em 2019 pelo Ranking Connected Smart Cities. O estudo é elaborado pela consultoria Urban Systems em parceria com a empresa de organização de eventos Sator.

Em 2015, a liderança do ranking ficou com o Rio de Janeiro. Depois, São Paulo foi a líder por dois anos seguintes. No ano passado, o ranking foi encabeçado por Curitiba.