A Fishtag tem uma plataforma para aproximar produtores de peixes e restaurantes. Foto: Pexels.

A Fishtag, startup que atua na cadeia de venda e compra de pescados, recebeu um aporte de R$ 1,8 milhão de quatro grupos de investidores-anjo. As organizações Anjos do Brasil, GVAngels, Insead Angels e MIT Alumni Angels participaram da rodada, que também contou com investidores independentes.

A Fishtag tem uma plataforma para aproximar produtores de compradores em uma cadeia produtiva que possui até 10 intermediários. O serviço da startup fornece entrega porta a porta e possibilita a rastreabilidade dos produtos. 

O sistema também atua na curadoria dos produtores. A empresa trabalha com produtores que possuem as devidas licenças de pesca e comercializam pescado legalizados com Selo de Inspeção Federal (SIF).

"O nosso objetivo é estreitar a relação entre os produtores de pescado e restaurantes, enquanto promovemos um consumo consciente de pescado", aponta Barbara Granek, fundadora da Fishtag. 

A executiva, que fez seu MBA no MIT Sloan School of Management (EUA), idealizou o conceito da marca após passar dois anos inserida na realidade desse mercado ao liderar a empresa de pesca da família, que conta com cerca de 60 funcionários.

Fundada há pouco menos de um ano, a Fishtag conta hoje com seis funcionários. Para a criação da empresa, foi feito um investimento inicial de R$ 150 mil.

Desde o início da operação, a startup vendeu mais de 10 toneladas de peixes, com um faturamento de aproximadamente R$ 500 mil.

"Os recursos levantados irão permitir que Fishtag faça uma transformação digital na indústria, a começar pelo Brasil, pois o capital será investido principalmente em tecnologia e vendas", relata Granek.

Lançado em março de 2019, o MIT Alumni Angels do Brasil se interessou pela startup e pelo fato da empreendedora ser ex-aluna da instituição americana. 

"É o terceiro investimento que fazemos em menos de um ano. A startup chamou nossa atenção por ser uma solução disruptiva, além de se tratar de um negócio já tracionado (early stage)", aponta Maria Alice Frontini, presidente do grupo.

A Anjos do Brasil teve o primeiro contato com a empresa no primeiro semestre deste ano. 

"Percebemos uma startup com potencial de agregar valor para um grande mercado ainda muito carente de inovação. Temos uma ótima empreendedora liderando o time e ficamos satisfeitos em efetuarmos mais um coinvestimento entre as redes de investidores anjo", diz Maria Rita Spina Bueno, diretora executiva do grupo.

Wlado Teixeira, head do Comitê de Seleção do GVAngels, relata que a Fishtag apresentou um pitch no 15º Fórum de Investimento da organização, em agosto. 

"Logo ficamos contagiados com o conhecimento que a empreendedora tem sobre os desafios que esse mercado enfrenta. Porém, ainda no processo de due diligence, percebemos que tínhamos que envolver grupos de investimento parceiros. Queremos explorar ao máximo seu potencial de escalabilidade", observa Teixeira.

Já para o Insead Angels Club Brazil (IACB), formado por ex-alunos da renomada escola global de negócio, o diferencial da rodada de investimento é a possibilidade de oferecer mentoria e apoio a empresa. 

"Queremos focar na oferta de capital intelectual e não apenas no capital financeiro. Investimos em startups capazes de gerar movimentos inovadores no país e em empreendedores abertos a contribuição dos nossos investidores. Ao propor uma inovação na cadeia de valor de pescados, a Fishtag está alinhada com essa estratégia", esclarece Alieksiei Martins, fundador e líder do IACB.