Brasil acima da média mundial na TI Invisível. Foto: divulgação.

Conhecida como "TI Invisível", o conceito de Shadow IT está ganhando terreno no Brasil, segundo um estudo divulgado pela BT Global Services, consultoria internacional ligada à British Telecom.

Para a consultoria, os CIOs brasileiros estão diante de uma oportunidade singular para assumir um papel de liderança nas organizações onde atuam, visto que no país, a TI Invisível já representa 32% dos gastos de TI no país, contra uma média internacional de 25%

TI Invisível é o nome dado à prática cada vez mais adotada por departamentos de empresas, como o de marketing e o financeiro, de comprar suas próprias soluções de TI.

De acordo com a pesquisa, hoje essa estratégia entre as corporações no Brasil, com 88% dos CIOs do país presenciando essa prática em suas empresas, contra 76% em nível global.

Conforme aponta o estudo, a confiança crescente dos departamentos na compra de suas próprias soluções de TI está mudando o foco do CIO, que passa da prestação de suporte para um papel mais estratégico, ligado a aconselhamento, governança e segurança.

"Na verdade, os CIOs no Brasil atualmente estão gastando 26% mais tempo e mais recursos de seus orçamentos em segurança como resultado da TI Invisível – contra uma média global de 20%", afirmou a consultoria em nota.

Para Luis Álvarez, CEO da BT Global Services, os CIOs estão no lugar certo para estimular práticas mais criativas da tecnologia em suas organizações, alinhando-as a uma visão estratégica.

"De acordo com nossa pesquisa, isso é o que de fato a alta administração das empresas espera", avalia o dirigente.

Cerca de 64% dos entrevistados no Brasil dizem que o CIO tem agora um papel muito mais central junto à administração da empresas em relação a dois anos atrás, contra 59% dos CIOs em nível global.

Para completar, 67% dos brasileiros acreditam que as expectativas de seus superiores quanto a seu trabalho aumentaram substancialmente nesse período, contra 68% dos entrevistados nos outros países.

Isso se reflete nos indicadores de desempenho (KPI, na sigla em inglês) agora atribuídos aos CIOs. Tradicionalmente o CIO é avaliado por métricas de TI. Entretanto, 92% dos entrevistados no Brasil disseram que agora respondem por mais KPIs de negócios do que de tecnologia, contra 81% globalmente.

Além disso, 73% dos entrevistados brasileiros, contra uma média global de 64%, acreditam que sua diretoria agora reconhece a necessidade de um CIO muito mais criativo, capaz de atuar em toda a organização.

Segundo Craig Charlton, CIO da De Beers, empresa entrevistada na pesquisa, a criatividade está em realmente entender as necessidades do negócio, bem como a tecnologia, e juntar as duas coisas.

"A combinação de um problema urgente a resolver com um bom domínio do que a tecnologia é capaz de fazer é o que leva a grandes ideias. E, sem criatividade, o papel do CIO acabará se reduzindo aos serviços tradicionais de TI, em vez de olhar para o futuro", diz Charlton.

Os CIOs no Brasil enxergam a mobilidade (79%, contra 73% em nível global), nuvem (73%, contra 71% em nível global) e comunicação unificada (73%, contra 72% em nível global), bem como a Internet das Coisas (IoT) e Software as a Service (SaaS), como as tecnologias que podem ajudá-los a desenvolver sua criatividade.

"Eu já fui um CIO, e para mim é como se nós estivéssemos em um momento em que essa função renasce, trazendo mais oportunidades do que nunca. Agora, os CIOs que possuírem mente criativa, imaginativa e visionária, buscando novas ideias junto a seus parceiros de TI são os que vão realmente ter sucesso”, diz Luis Álvarez.