Kaio Philippe. Foto: divulgação.

O Kayak, multinacional especializada no mercado de metabuscas online para viagens, está firme em seus planos de crescer no Brasil e bater a concorrência, mesmo com um cenário de economia em retração.

Segundo o country manager da empresa no país, Kaio Philippe, o modelo de negócios da empresa, que envolve publicidade e fluxo de visitação em sua plataforma, será o diferencial para crescer no país, com uma proposta diferente de outros serviços tais como Submarino Viagens e Decolar.com, que cobram comissões em cima de vendas.

"Mesmo que os gastos em viagens tendam a cair durante 2016, os consumidores seguirão pesquisando preços e planejando suas viagens, domésticas e internacionais, para conseguir os melhores preços. Então para nós, esse cenário pode até ajudar", avalia Philippe.

No Brasil desde 2012, o Kayak registrou números significativos de crescimento no ano passado, chegando a mais de 100 milhões de buscas mensais em seu site e mais de 40 milhões de downloads do app.

A empresa não divulga números regionais, mas de acordo com Philippe, o Brasil e países da América Latina tem o potencial de chegar no nível de vendas que a marca tem na Europa - o mercado norte-americano representa a maior fatia dos negócios do Kayak.

Segundo o country manager, a concorrência direta do Kayak vem de outros buscadores como Trivago e SkyScanner, que tomaram a dianteira no país através de maior exposição na mídia.

"Ultimamente apostamos em um crescimento orgânico, mas queremos levar nosso nome para o consumidor geral, assumindo no país a liderança que temos nos Estados Unidos", afirmou o executivo.

Vale lembrar que o Kayak pertence ao Priceline.com, gigante ianque do segmento de viagens e hotelaria, que adquiriu no ano passado uma participação no controle da brasileira Hotel Urbano, por US$ 60 milhões.

A crença do Kayak no país foi fortalecida em maio do ano passado, quando o Kayak contratou Philippe como gerente das operações brasileiras do serviço. Até então, a operação era gerenciada dos Estados Unidos.

Além disso, a empresa pretende aumentar seus investimentos na área comercial, com a contratação de representantes para o contato com as companhias aéreas e agências de viagens interessadas em usar a plataforma para anunciar seus produtos.

"Já temos uma equipe dedicada, tanto na área técnica quanto comercial, atuando em nossos escritórios nos EUA e Europa, mas planejamos escalar nossa presença local ao longo de 2016", afirmou o country manager.

Entretanto, os número do mercado de viagens no país não são dos mais animadores. A demanda por voos domésticos no Brasil caiu 4,5% em dezembro em relação ao mesmo período do ano passado, no quinto mês consecutivo de declínio, enquanto a oferta teve redução de 3,3%, a quarta seguida, segundo dados divulgados pela Anac esta semana.

Com isso, a taxa de ocupação das aeronaves ficou em 79,8% no mês passado, ante 80,8% em dezembro de 2014. Mesmo assim, Philippe não se intimida.

"Temos experiência em momentos difíceis. Nos Estados Unidos, durante a crise de 2008, o Kayak não apenas sobreviveu como também registrou um grande crescimento", aponta Philippe.

Fundado em 2005 nos Estados Unidos, o Kayak foi um dos primeiros buscadores de viagem do mundo. Presente em mais de 30 países e apresentado em 18 idiomas, conta com mais de 300 funcionários em seis escritórios internacionais.