Nicolás Maduro começou a pensar fora da caixa. Foto: https://www.flickr.com/photos/eneas/

Imerso em uma crise sem fim, o governo da Venezuela está negociando a venda da PDVSA, outrora poderosa estatal de petróleo do país, para gigantes internacionais do setor.

Segundo revela uma matéria da Bloomberg, negociações estão em curso com empresas como a Rosneft, da Rússia, a Repsol, da Espanha, e a Eni, da Itália.

O plano é permitir que elas assumam ativos de petróleo hoje controlados pelo governo e reestruturem dívidas da Petroleos de Venezuela (PDVSA) em troca de equity na empresa, as fontes disseram à Bloomberg.

O site frisa que as conversas estão em estágio iniciais e que a concretização dos planos enfrentaria muitas dificuldades, dentro e fora do governo.

A PDVSA foi criada há 40 anos e a exploração de petróleo é regulamentada pela Constituição, que precisaria ser modificada para aprovar um negócio como o especulado pela Bloomberg.

Uma modificação desse calibre demandaria a aprovação do líder da oposição, Juan Guaido, que em tese seria favorável, mas provavelmente não está interessado em fazer nada para prolongar a permanência de Maduro no poder.

Também há dúvidas sobre como a operação poderia ser financiada, tendo em conta as sanções dos Estados Unidos, que desestimulam até empresas não-americanas a fazer negócios com Maduro.

E por último, mas não menos importante, está o problema ideológico: a posse de estatais de petróleo é uma espécie de dogma da esquerda latino americana.

De todas formas, Maduro vem silenciosamente tomando medidas para liberalizar a economia, visando tirar o país do buraco econômico, como diminuir o controle de câmbio e permitir a dolarização da economia, ao mesmo tempo em que negocia diretamente com alguns dos credores da Venezuela.

O país tem as maiores reservas de petróleo conhecidas no mundo. No auge, a PDVSA chegou a produzir mais de 3,5 milhões de barris por dia e hoje produz cerca de 700 mil.