FINTECHS

Ebanx compra 30% do Banco Topázio

28/01/2021 10:39

O acordo foi fechado no início deste ano e aguarda a aprovação do Banco Central e do Cade. 

O Topázio foi fundado em 2005 e investe em um modelo 100% digital. Foto: divulgação.

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A Ebanx, fintech brasileira que nasceu com serviço B2B e atingiu o status de unicórnio em outubro de 2019, comprou uma fatia de 30% do banco Topázio, instituição financeira gaúcha ligada ao grupo Ernesto Corrêa.

De acordo com o site NeoFeed, o acordo foi fechado neste início de ano e seus termos financeiros não foram divulgados. A efetivação ainda está sujeita à aprovação do Banco Central e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). 

Até que isso aconteça, as duas companhias seguirão operando de forma independente.

Fundado em 2005, o Topázio é ligado a Ernesto Corrêa, empresário gaúcho avesso a holofotes, que reuniu sob a marca do grupo que leva o seu sobrenome negócios como a processadora de cartões GetNet, vendida ao Santander em 2014.

O banco investe em um modelo 100% digital, sem agências físicas, com um portfólio para pessoas físicas e jurídicas em áreas como crédito, câmbio e investimentos.

Desde 2017, também vem migrando para os bastidores ao priorizar uma oferta sob o conceito de bank as a service, com um arcabouço tecnológico e regulatório para que fintechs e outras empresas encurtem o caminho para a oferta de produtos e serviços financeiros.

Entre essas companhias, estão nomes como o Mercado Pago, fintech do Mercado Livre, a incorporadora Vitacon e a própria Ebanx — que tem o banco como parceiro na Ebanx Go, conta digital voltada a pessoas físicas.

No primeiro semestre de 2020, o Topázio contabilizou uma receita com intermediações financeiras de R$ 134,1 milhões e um prejuízo de R$ 7,5 milhões. A empresa fechou o período com uma carteira de crédito de R$ 255 milhões e com R$ 247 milhões em caixa.

Com o investimento no banco, a Ebanx quer aprimorar sua oferta de pagamentos cross border para clientes internacionais no Brasil. A fintech tem uma base de mais de mil clientes ativos no segmento, com nomes como Spotify, Airbnb e AliExpress.

Segundo a companhia, isso passa por ter mais velocidade para processar as operações e uma estrutura adequada para atender ao crescimento no volume das transações.

“Em essência, dependemos de uma instituição financeira e sempre tivemos boas parcerias no segmento bancário. Mas entendemos que, daqui para frente, precisamos criar uma aliança muito mais forte do que uma relação com um fornecedor”, explicou Wagner Ruiz, cofundador e CFO da Ebanx, ao NeoFeed.

Com essa premissa, a Ebanx foi às compras há menos de um ano. Em abril de 2020, adquiriu um sistema de processamento americano de nome não revelado, utilizado para facilitar a integração e aprimorar o atendimento a clientes americanos no Brasil.

Ainda no âmbito dos investimentos, a empresa mantém o Honey Island, fundo de early stage por meio do qual já fez aportes em mais de uma dezena de startups. O mais recente envolveu a plataforma de chat-commerce OmniChat, em rodada de R$ 20 milhões liderada pela Kaszek Ventures.

Além da busca por transações mais rápidas e eficientes, a participação minoritária no Topázio teria como uma de suas principais razões a perspectiva de mudanças no setor da Ebanx e no seu entorno.

Entre elas, está a agenda do Banco Central para a regulamentação do segmento de câmbio, com a promessa de abertura do mercado para a atuação de fintechs.

“Não sabemos se as regras irão mudar ou quais rumos o mercado irá tomar, mas não podemos ficar esperando. Ter uma instituição regulada e autorizada dentro de casa, mesmo que parcialmente, nos deixa mais confortáveis para os desafios à frente”, destacou Ruiz ao site.

Ainda de acordo com a publicação, esse panorama de mudanças na competição está colocando as instituições dedicadas ao bank as a service na mira de investidores e de empresas como a Ebanx. 

Um exemplo é a Hub Fintech, comprada em dezembro pelo Magazine Luiza, por R$ 290 milhões. Outro é a também brasileira Conductor, que captou US$ 170 milhões no fim de 2020, em rodada liderada pela Viking Global Investors com a participação de fundos como Temasek e Riverwood Capital.

Criada em 2012, a Ebanx tornou-se mais um unicórnio brasileiro no fim de 2019, com um aporte de valor não revelado do fundo americano FTV Capital.

Somente no ano passado, a empresa intermediou mais de 145 milhões de transações, o que representou um salto de 38% sobre 2019. Sem considerar o Brasil, o avanço foi ainda superior, de 200%. A cifra total movimentada no período não foi revelada.

Atualmente, a companhia também está presente nos seguintes países da América Latina: México, Argentina, Colômbia, Chile, Peru, Uruguai, Bolívia, Equador e Paraguai. 

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