Filial do Agibank. Foto: Fernando Conrado/ Divulgação

O banco digital Agibank fez um corte significativo na sua equipe em Porto Alegre nesta quinta-feira, 28.

Segundo a reportagem do Baguete pode averiguar com diferentes fontes, os cortes afetaram diversas áreas da instituição, com destaque para funcionários terceirizados na área de TI, que numa operação desse tipo é sempre um dos setores com mais pessoal.

Em nota enviada ao Baguete, o Agibank reconheceu indiretamente os cortes e o escopo dos mesmos, afirmando que “eventuais balanceamentos nos contratos de outsourcing e no quadro de colaboradores são inerentes as priorizações de qualquer negócio”.

As estimativas de demissões ouvidas pelo Baguete variam de 150 e 170, no caso de duas fontes ligadas à área de TI, até 230, no caso de uma fonte de outra área da companhia. 

Outra fonte afirma que o corte atinge metade de todos os terceirizados e ainda uma quinta que teriam sido demitidos todos os superintendentes de TI. 

Mesmo nas estimativas mais baixas, é um corte de peso. Em julho do ano passado, o Baguete divulgou que o time de TI do Agibank chegava a 260 profissionais, com outras 80 vagas em aberto, que, caso tenham sido fechadas, deixariam o time em algo como 340 pessoas.

Em sua nota, que pode ser lida na íntegra abaixo, o Agibank afirma ainda que “integra um segmento em forte expansão no Brasil” e que possui 3.652 colaboradores no país.

O número pode fazer o corte em Porto Alegre parecer pequeno (provavelmente, foi essa a intenção), mas ele é certamente influenciado pela operação de varejo do Banco Gerador no Nordeste do país.

“No Agibank, a cultura de agilidade e a aplicação de tecnologia para automação de processos são essenciais para ganhos de eficiência”, agrega o banco.

No final de 2017, o Agibank divulgou o plano de investir R$ 750 milhões em tecnologia e inovação ao longo dos próximos três anos.

Não está claro em que pé andam esses planos, uma vez que a empresa está num momento de indefinição sobre os seu projeto de abertura de capital, talvez pospondo uma fonte de financiamento que estava nos planos.

Os planos de IPO no Brasil foram adiados em junho de 2018. A empresa gaúcha citou as “condições de mercado” na sua explicação, um clichê nesse tipo de ocasião.

Em janeiro, o CEO da Agibank, Marciano Testa, disse que a empresa estava considerando uma abertura de capital nos Estados Unidos, onde já fizeram IPOs a Stone, a PagSeguro e a empresa de software educacional Arco.

Criada em 1999 como uma financeira, a empresa mudou seu nome de Agiplan para Agibank no começo de 2018, para dar uma guinada digital com o objetivo de quintuplicar o número de correntistas no mesmo ano. 

De acordo com a Exame, o modelo de negócio do Agibank, apesar do novo nome, ainda é o da financeira, com empréstimos consignados ou a altos juros para clientes nas classes C e D.

A então Agiplan incorporou no começo de 2016 o Banco Gerador, com forte atuação de varejo e atacado no Nordeste do Brasil e 200 mil clientes.

Com a aquisição, a Agiplan, até então concentrada no mercado de empréstimos pessoais, se tornou um banco.

Em termos de tecnologia, o passo mais ousado foi o lançamento do Agipag no final de 2016.

Baseado na tecnologia de conta corrente do Gerador e tendo a Stefanini com uma participação minoritária, o Agipag é um sistema de micropagamentos móveis.

O Agipag tinha algumas funcionalidades equivalente a conta corrente, mas está longe de ser uma solução completa para banco digital. 

Depois de algumas ações de lançamento, o serviço não voltou a ser colocado em primeiro plano.

NOTA DA AGIPLAN

O Agibank integra um segmento em forte expansão no Brasil. O grupo, que possui um quadro de 3.652 colaboradores, investiu ao longo de 2018 na estruturação dos times internos para seguir inovando e crescendo.

Eventuais balanceamentos nos contratos de outsourcing e no quadro de colaboradores são inerentes as priorizações de qualquer negócio. No Agibank, a cultura de agilidade e a aplicação de tecnologia para automação de processos são essenciais para ganhos de eficiência.