Positivo teve um 2015 complicado. Foto: Shutterstock

A Positivo teve uma receita líquida de R$ 1,84 bilhão no ano passado, uma queda de 20,9% frente aos resultados de 2014.

A empresa também viu o seu EBITDA cair 37%, para R$ 90,1 milhões e entrou no vermelho, saindo de um lucro líquido de R$ 23,3 milhões para um prejuízo de R$ 79,9 milhões.

Esse é o segundo ano de resultados ruins da Positivo, que já havia tido queda de receita de 9,2% em 2014 frente a 2013. 

Os resultados foram atribuídos pela Positivo a uma queda ainda mais aguda do que o esperado no mercado.

Para ilustrar o ponto, a companhia comparou em seu relatório as projeções de mercado feitas pelo IDC no final de 2014 com o que realmente acabou acontecendo.

O instituto previa alta de 5% no mercado de varejo e queda de 4% no mercado corporativo/governo, quando o que acabou se confirmando foram quedas de 39% e 30%, respectivamente.

O acerto das previsões é fundamental na indústria de PCs. Em nota, a Positivo destaca que os fabricantes tomam decisões de compra de insumos com até seis meses de antecedência, prazo requerido para a produção e transporte marítimo de muitos componentes importados da Ásia. 

Assim, em setembro do ano passado, a Positivo acumulava estoque para 252 dias de produção, cinco vezes mais o prazo considerado ideal de 54 dias. O número fechou em 135 em dezembro.

A situação levou a empresa a fazer promoções no final do ano, sacrificando margens de lucro. 

Junto com o problema de estoques, a Positivo penou ainda com a desvalorização do real, dado que cerca de 90% do custo dos dispositivos está atrelado ao dólar. 

Para 2016, a expectativa da Positivo é acertar os estoques e recuperar as margens, o que a companhia considera provável devido a baixa probabilidade de uma nova desvalorização.

As previsões também parecem mais realistas, com a expectativa de contratação de 18% no mercado de PCS em 2016 e 12% no de smartphones.

Os problemas da Positivo causaram o impacto simbólico de perder a liderança do mercado nacional de PCs para a Dell, que em maio do ano passado anunciou ter assumido a posição de número 1, com um share de 15,8% segundo o IDC.

Em 15 anos de atuação no país, é a primeira vez que a Dell ocupa a posição de número um em vendas totais de computadores no país. 

No terceiro trimestre de 2014, quando a Positivo fez a última divulgação de dados da IDC, a companhia havia atingindo um market share de 16,6%.

A companhia não fez projeções para 2016, mas parece difícil que sejam repetidos os bons resultados do que já parece um distante 2013, quando a companhia divulgou o maior resultado anual da sua história, com receita líquida de R$ 2,56 bilhões, uma alta de 22,1%, ao mesmo tempo em que mais do que triplicavao lucro líquido, para R$ 30,9 milhões.

A nota positiva dos resultados ficou com a expansão das vendas de celulares, que subiram 127%, superando 1 milhão de aparelhos .

A companhia tem direcionado esforços para crescer sua participação e conquistar uma fatia do segmento de alto desempenho com a unidade de negócios Quantum, lançada em setembro do ano passado.

Com preços de R$ 699 a R$ 899 e diferentes versões para 3G e 4G, os aparelhos da linha competem na faixa povoada por empresas asiáticas como Xiaomi e Asus, que oferecem configurações avançadas e preços competitivos.

É um mercado no qual a Positivo tem muito a fazer: seu share é de 2,2%.