Sérgio Kapron e Mauro Knijnik depois da escolha dos oito novos APLs.

Os projetos de APLs do Centro RS e da Serra Gaúcha estão entre os oito selecionados para receber apoio de R$ 100 mil anuais pelos próximos quatro anos para desenvolver ações relacionadas à governança e ao desenvolvimento local.

As verbas, oriundas da Agência Gaúcha de Desenvolvimento e Promoção do Investimento (AGDI), braço executivo da Secretaria de Desenvolvimento e Promoção do Investimento, podem ser complementadas por até R$ 7,2 milhões em incentivos fiscais para o grupo.

Um APL é uma organização que envolve diversos atores de uma cadeia produtiva, que uma vez constituídos podem pleitear verbas para diferentes finalidades junto a organismos do governo estadual e federal.

Dois dois projetos, o mais adiantado era o da Serra Gaúcha, que já havia sido reconhecido  pela SDPI, tendo acesso a algumas verbas. O projeto de Santa Maria era mais recente, mas teve a seu favor atores de peso como o Grupo Meta, que acaba de instalar um centro nas proximidades da cidade.

“Pesou a favor dos APLs de TIC o fato de eles terem pessoas já dedicadas ao assunto e projetos bem definidos. A ideia do plano é que as regiões e setores articulem suas demandas”, explica Sérgio Kapron, diretor de Produção e Inovação da AGDI.

De março a maio, foram recebidas 21 propostas, avaliadas conforme 182 critérios. Serão exigidas contrapartidas financeiras ou econômicas crescentes, iniciando em pelo menos 10% do valor recebido já no primeiro ano.

Kapron destaca que com os oito escolhidos agora e os 12 já definidos anteriormente – grupo que já incluía na área de TIC o  APL de Automação e Controle, que reúne 55 empresas da região metropolitana – o grupo está fechado, já que os recursos obtidos pelo BIRD estão totalmente alocados.

Enquanto o setor de TI de Caxias do Sul e Santa Maria [confira mais detalhes sobre os APLs abaixo] obtém recursos através do programa de APLs, Porto Alegre e as cidades ao redor marcam passo.

Articulações para criar um APL metropolitano começaram ainda em 2009, quando o plano incluía também as empresas de TI da Serra. As coisas não andaram, a TI de Caxias do Sul e cidades vizinhas fez seu próprio projeto e o assunto naufragou. A Assespro-RS trouxe o assunto a baila de novo em 2012, mas sem sucesso.

O fato é mais chamativo tendo em conta que Porto Alegre e cidades ao redor como São Leopoldo e Novo Hamburgo concentram a maior parte do PIB de TI gaúcho, as maiores instituições de ensino e parques tecnológicos, além das sedes de entidades que estão articuladas em outras regiões do estado.

Os APLs constituídos prometem ser concorrentes duros nas limitadas verbas que o governo estadual tem disponíveis para empresas do setor de TI, nesta administração ou em qualquer uma que venha no futuro.

A ideia de organizar o incentivo econômico estatal por meio de grupos envolvendo empresas, poder público e instituições de ensino – os famosos clusters – não é nova no Rio Grande do Sul, tendo dado os primeiros passos ainda nos anos 90 e permanecido em uso com mais ou menos ênfase e recursos desde então.

SAIBA MAIS SOBRE OS APLs
O APL de Tecnologia do Centro RS reúne 20 empresas da região, entre elas a Meta, uma das maiores empresas de TI do estado, que acaba de abrir um centro de serviços de tecnologia SAP em Restinga Seca, localidade a 30 km de Santa Maria.

No lado institucional inclui Assespro, Seprorgs e Santa Maria Tecnoparque. A área universitária é representada por UFSM, Centro Universitário Franciscano , Instituto Federal Farroupilha e a Faculdade Antonio Meneghetti.

A governança do APL da Serra é exercida pelo Trino Polo, envolvendo também o Seprorgs, a prefeitura de Caxias do Sul, cinco instituições de ensino (FSG, Ftec, FTSG, Faculdade Murialdo e UCS) além de 82 empresas de TI de Caxias, Bento Gonçalves e Farroupilha