Mara Maehara, CIO da TOTVS. Foto: divulgação.

Uma chance muito grande de protagonismo para os profissionais de tecnologia, de mostrar o seu valor além da expectativa que a empresa já tem. É assim que Mara Maehara, CIO da TOTVS, enxerga o momento que levou tantas empresas ao home office. 

Ela e Janet Dinio, CIO da Vicunha Têxtil, conversaram sobre os desafios da área de TI durante o TOTVS Talks Live, uma série de eventos online com os quais a companhia está levando conteúdo para clientes e parceiros durante a pandemia. 

Na TOTVS, maior empresa de tecnologia do Brasil, o modelo de trabalho remoto já vinha sendo testado, mas o grande desafio foi colocar os quase 8 mil funcionários trabalhando de casa ao mesmo tempo. 

A estrutura para isso foi organizada em poucos dias sem prejudicar a operação da companhia, que atua dando suporte à operação das empresas clientes.

Na empresa, uma jornada de transformação digital vinha sendo trabalhada de quatro anos para cá, com passos e marcos bem definidos.

“Fizemos retrofit em todas as unidades espalhadas no Brasil e fora do país, revisitando todos equipamentos de rede, observando obsolescência para dar escala e garantir suporte adequado. Então a gente já vinha numa atividade como essa de um tempo pra cá”, conta Mara Maehara, CIO da TOTVS.

Desde 2017, a sede nova da empresa foi pensada com tecnologia de última geração, dando uma escalabilidade de capacidade de rede importante, tanto do ponto de vista de volume quanto de segurança.

Foram inseridas soluções de comunicação unificada e de colaboração, além de migrações para a nuvem. Tudo isso colaborou para que a TOTVS tivesse uma condição melhor de atender o cenário provocada pela pandemia.

Para Maehara, o tema segurança nunca pode ficar de lado e não dá para aliviar a guarda de jeito nenhum. Na companhia, os checkpoints são diários e os times trabalham 24/7 nesse tema.

Neste caso, os grandes desafios são ter redes preparadas, com acesso seguro, dupla autenticação e conseguir ter as ferramentas necessárias para detectar inclusão, além de ter a política de atualização de segurança atualizada em todos os equipamentos.

“Dentro da empresa é mais fácil de garantir essas políticas. Quando as pessoas estão remotas é mais complicado, porque elas podem, de fato, utilizar um equipamento particular, então é sempre um risco”, pondera Maehara.

Na TOTVS, o time costuma utilizar ferramentas para manter tudo sob controle. Isso inclui detectar o quão seguros esses equipamentos estão, o monitoramento constante para avaliação da saúde da rede, dos equipamentos de endpoint e também dos que suportam a rede.

Com relação ao suporte técnico, a CIO da TOTVS contou que a empresa teve um aumento de cerca de 40% nos chamados com o início da pandemia, sendo muitos dos problemas coisas não aconteceriam dentro da empresa. Após esse boom, a demanda foi estabilizada. 

No mesmo período, o time teve um aumento de produtividade de 15%.

Já na indústria Vicunha Têxtil, cliente da Totvs, a implantação do home office não foi em toda empresa, somente na área administrativa. Isso porque boa parte dos funcionários trabalha diretamente na produção, que precisou ser paralisada por conta da pandemia.

Segundo Janet Dinio, CIO da indústria e responsável por toda sua operação na América Latina, a companhia já possuía uma certa preparação para o home office porque algumas pessoas já trabalhavam no modelo, inclusive a própria equipe de infra. 

Sobre a infraestrutura, ela contou que a empresa ainda não chegou no limite da sobrecarga e também vem priorizando algumas questões, como o trabalho de ampliação e otimização de links com as operadoras, de revisão e redundância, além da migração de alguns itens para a nuvem.

“Tirar algumas aplicações de dentro do seu ambiente também ajuda nessa hora. É uma questão de atualização de ambiente constante. Se você já vem fazendo um trabalho e está continuamente atualizado é muito mais fácil essa virada”, afirma Janet Dinio, CIO Vicunha Têxtil.

Em relação à segurança, ela acredita que o maior desafio é o aspecto cultural, de fazer as pessoas entenderem a sua importância. 

“Temos feito um trabalho para explicar para as pessoas o porquê e tentar trazê-las para esse mundo para elas entenderem que tem que estar com a gente nisso”. contou.

Mesmo com o orçamento afetado por conta da parada de produção, Dinio afirma que a empresa tem o olhar de que alguns projetos vão ser muito importantes na retomada e não podem parar.