Linha de montagem da Positivo. Foto: divulgação.

A Positivo teve uma receita bruta de R$ 2,1 bilhões no ano passado, uma queda de 3,7% frente aos resultados de 2017.

O lado positivo dos resultados foi que a companhia paranaense registrou prejuízo de R$ 500 mil, ante prejuízo de R$ 44,7 milhões em 2017, uma queda de 99%. Já o EBITDA aumento 43,3%, para R$ 110,5 milhões.

Os resultados precisam ser olhados em perspectiva. O grande prejuízo de 2017 foi causado por uma ocorrência atípica: um estado deu calote em um lote de notebooks para fins educacionais.

A Positivo frisou na época que sem esse calote a empresa teria ficado no azul, com um lucro de R$ 4,4 milhões, ainda assim, 50% menor que o obtido em 2016.

Já a queda no faturamento não é uma tendência atípica. A Positivo vinha de dois anos bons, com crescimento de 9,6% em 2017 e 5,3% em 2016, mas eles foram apenas uma recuperação das grandes perdas dos anos de desaceleração de 2015 (-20%) e 2014 (-9,2%).

A empresa também se tornou mais dependente do negócio de PCs, que está em uma trajetória de declínio.

A Positivo teve aumento de 18,5% nas vendas de PCs, com o total de 939,2 mil unidades vendidas. 

No mercado de celulares, uma aposta de futuro para a Positivo, houve queda de 11% nas vendas, que totalizaram 1,53 milhão de unidades, das quais, 803 mil eram smartphones. 

A empresa ganhou um 1,8 ponto percentual de market share em PCs no Brasil em 2018, registrando 16,9%. Em celulares, ficou estagnada, com um incremento de 0,2 ponto, para 3,2%.

A Positivo explica que a retração em celulares se deveu ao acirramento da competição entre os maiores fabricantes e continuidade da guerra de preços entre eles, uma explicação que já foi dada no passado para resultados similares.

No final de 2018, o negócio de celulares da Positivo sofreu ainda um grande retrocesso, com o cancelamento do acordo com a Huawei. Os chineses se decidiram por montar os aparelhos no país.

O plano original era que a Positivo importasse, distribuísse e produzisse os aparelhos da Huawei no Brasil, a começar pelo smartphone P20 Pro, dono da melhor câmera do mercado, segundo ranking do site especializado DxOMark.

De qualquer forma, a empresa mostra otimismo no seu balanço, afirmando que essa competição de preços "tem mostrado sinais de arrefecimento para produtos precificados ao consumidor até R$ 700", que são o nicho de mercado da Positivo.

Outro foco de otimismo é o corporativo com crescimento de 32,4% em volume ante 2017.

Para reforçar a presença nesse mercado, a Positivo comprou a Accept, fabricante baiana de servidores, que registrou faturamento de R$ 160 milhões em 2018. 

"Com a aquisição da Accept, a companhia passa a ter um portfólio mais abrangente nos mercados corporativo e de governo, em um período de recuperação da economia e de retomada dos investimentos em infraestrutura no Brasil", projeta a Positivo. 

Ao longo do ano, a Positivo divulgou metas de triplicar sua participação no mercado de PCs para o segmento corporativo no país, saltando de uma participação modesta de 3% para 10% até o final de 2019.