Deli Matsuo.

Deli Matsuo, vice-presidente de RH da RBS, deixa o grupo de comunicação gaúcho nesta segunda-feira, 01 de junho.

É o que afirma um comunicado do presidente do grupo, Eduardo Sirotsky Melzer, enviada aos colaboradores nesta sexta-feira, 29.

O comunicado informa que Melzer assumirá inteirinamente a área. A área de TI, dirigida por Luiz Ramos, passa a reportar diretamente ao vice-presidente de Finanças, Cláudio Toigo.

A Appus, empresa de Big Data focada no mercado de RH encabeçada por Matsuo, deixa de fazer parte do Grupo RBS com a mudança.

Deli Matsuo foi uma contratação de peso no início da gestão de Melzer no grupo de comunicação gaúcho, em 2011.

O executivo foi diretor de RH do Google para a América Latina de 2006 a 2010, comandando os recursos latino-americanos a partir do escritório no Vale do Silício. Antes disso, também atuou na empresa em projetos no Japão.

Em agosto do ano passado, a RBS demitiu 130 funcionários, principalmente no negócio de jornais. 

Os colaboradores foram comunicados por videoconferência de que haveria cortes nos próximos dois dias, em um processo que gerou um turbilhão de rumores e foi culminado por um comunicado algo desastrado de Melzer.

Assinada como “Duda”, a carta conclamava os colaboradores a “desapegar do que não agrega” e celebrava o sucesso do e-commerce de vinhos Wine.com.br.

Matsuo já havia se destacado internamente ao implementar um método de gestão de RH chamado “Superação” que enfrentou resistência dos colaboradores.

Em seu comunicado de hoje (assinado com seu nome completo), Melzer destaca os méritos desse novo modelo como meritocrático e ressalta que através dele foram promovidas 1,5 mil pessoas e outros 3 mil receberam aumentos, totalizando R$ 27 milhões investidos.

A saída do executivo acontece em um momento no qual a RBS parece estar perdendo parte do seu entusiasmo pelo universo digital, da qual a contratação de um ex-Google foi de certa forma um marco.

Recentemente, o Baguete revelou com exclusividade que o grupo de comunicação fechará até o final do semestre a sua operação no Tecnopuc, parque tecnológico da PUC-RS em Porto Alegre, aberto no mesmo 2011 no qual foi contratado Matsuo.

O processo envolve a transferência de funcionários sediados no parque para a sede da empresa, além de demissões totalizando, pelo que a reportagem pode averiguar, cerca de 25 pessoas. 

Não se sabe qual era a equipe no local. Na sua carta, Melzer falava na meta de chegar a 100 pessoas até o final de 2014, um objetivo que já havia sido divulgado quando da abertura do centro.

Segundo o Baguete pode averiguar com fontes da empresa, a palavra-chave do momento dentro da RBS é “conteúdo de qualidade” como chamariz para assinantes dispostos a pagar por ler notícias online.

Dentro dessa nova ordem de coisas, a empresa parece menos disposta a investir no desenvolvimento de aplicativos, um dos possíveis focos de uma equipe como a existente no Tecnopuc.

Em nível editorial, segundo as fontes do Baguete, a RBS pretende dar marcha ré no processo de “buzzfeedização do conteúdo”, ou, para aqueles que não estão familiarizados com o site americano Buzzfeed, a aposta em listas engraçadinhas e conteúdo não estritamente jornalístico como uma forma de atrair clicks.

A saída da RBS do Tecnopuc coincide com a abertura no mesmo local de um centro de desenvolvimento da Globo.com focado em plataformas de publicação, vídeo e dados para sites como sites G1, globoesporte.com, gshow, Ego e Techtudo.

Talvez, a Globo.com atenda parte das necessidades de desenvolvimento da RBS, de longe a afiliada de transmissão da Globo com a presença online mais sofisticada.

Finalmente, a visibilidade do conteúdo do grupo é um grande atrativo para todo tipo de startups, sem necessidade de gerar custos internamente com ideias que não funcionam, quando é possível buscar ideias no mercado por compras ou parceirias.

Em março, o fundo de investimentos em tecnologia da empresa, o e.Bricks, colocou junto com um parceiro um segundo aporte R$ 6 milhões na Rock Content, startup mineira de marketing de conteúdo

Dos cerca de R$ 300 milhões que a RBS colocou em compra de participações em oito empresas de internet nos últimos anos, uma parte foi para outros negócios relacionados, como a Predicta, companhia especializada em web analytics e companhias de marketing e publicidade Grupo.Mobi e Hi-Midia.

Recentemente, por exemplo, a RBS usou um aplicativo de análise de dados da Fight Analytics no seu portal ClicRBS para acompanhar o UFC 185, evento de MMA realizado em Porto Alegre no início de março.