Maquete do primeiro prédio do futuro Ágora Tech Park.

Joinville, um dos pólos de tecnologia do país, começou o processo para instalar um parque tecnológico da cidade, em uma movimentação liderada pela iniciativa privada, por meio do Perini Business Park, um condomínio empresarial de grandes proporções instalado no município.

O último passo dado para constituir o parque foi a escolha por meio de um concurso de um projeto arquitetônico para o primeiro prédio, no qual ficará a sede do parque e as primeiras empresas. 

O prédio deverá estar pronto até março de 2019, a um custo estimado de R$ 10 milhões.

A ideia é que o parque abrigue incubadoras, startups, aceleradoras, empresas de tecnologia, coworkings, laboratórios, centros de pesquisa, falabs, extensões de ensino e pesquisa e outras atividades do tipo.

Pelos cálculos dos administradores do Perini, as 160 empresas instaladas no local totalizam cerca de 20% do PIB de Joinville e 2% do total de Santa Catarina, o que em 2015 seria algo perto de R$ 5 bilhões.

A maioria das empresas são indústrias como Siemens, Buhler, SEW, AllFlex, Brenntag Química e Whirlpool.

Para emplacar o futuro Ágora Tech Park, o Perini está trabalhando de maneira articulada com a administração pública da cidade e instituições de ensino, dentro do modelo conhecido como “tríplice hélice” pelos estudiosos do tema de parques tecnológicos.

“Nós queremos atrair empresas de alta tecnologia para dentro do Perini Park, mas entendemos que para isso é preciso mais do que os prédios, é preciso a criação de um ambiente de inovação”, resume Emerson Edel, diretor de Operações do Perini Business Park.

O Perini já abriga algumas empresas do setor de tecnologia, como a ContaAzul, uma startup de sistemas de gestão na nuvem que está entre os destaques no Brasil na sua área, ou a Pollux, uma companhia de automação de destaque.

Uma movimentação importante foi a vinda de um campi da UFSC, inaugurado em março de 2018. O Perini é o único condomínio empresarial do país a abrigar operações de uma universidade federal no país.

O chamado complexo UFSC Norte Catarinense tem dois prédios, com salas de aula, 44 laboratórios, a biblioteca e as salas da diretoria acadêmica e dos professores, separados por um espaço coberto com praça de alimentação com restaurante, cantinas, área de convivência e bicicletário.

O local abriga uma série de cursos de graduação na área de engenharias, incluindo variedades como  automotiva, mecatrônica, aeroespacial e naval, além de especializações em ciência e tecnologia e mestrados em Engenharia e Ciências Mecânicas e Engenharia de Sistemas Eletrônicos. 

O lado governo da equação se dá pela relação do Perini com o projeto Join.Valle, uma iniciativa da prefeitura de Joinville visando atrair empresas de tecnologia e fomentar o ecossistema de inovação para a cidade.

O Join.Valle deve evoluir para formar um conselho com representantes de diferentes áreas, incluindo nomes de peso do empresariado local como Miguel Abuhab, fundador da Datasul e da Neogrid.

A mobilização de Joinville em torno do tema de ciência e tecnologia já está percebida fora do país.

A cidade foi considerada a melhor da América do Sul no ranking “Top 10 Mid-sized American Cities Of The Future 2017/18”.

O estudo, feito pela fDi Intelligence, uma divisão de pesquisa do prestigiado jornal inglês Financial Times, analisa as cidades de médio porte com melhores estratégias para atração de investimentos estrangeiros.

A lista das Américas conta com Joinville na 5ª posição, atrás de locais da América do Norte e Central.

O estudo analisou 75 localidades de médio porte, com população entre 350 e 750 mil pessoas.