Nigel Beighton. Foto: divulgação.

A Internet das Coisas (IoT) é uma das tendências mais badaladas do segmento de TI nos últimos tempos. Entretanto, para alguns especialistas o hype em torno do conceito está exagerado.

Para Nigel Beighton, VP de tecnologia da norte-americana Rackspace, a IoT ainda tem um grande número de problemas para resolver antes de ganhar escala ao redor do globo. A informação é do TechWorld.

Para o especialista, antes que toda sorte de objeto esteja conectada à web, questões como segurança, padrões e privacidade terão que ser resolvidas, e para ele, não serão definidas tão cedo.

"Eu entendo a visão, mas estou cético quanto aos prazos. Algumas pessoas dizem três anos, mas o processo exigirá uma grande mudança política e a internet ainda não pode lidar com isso. A internet não foi criada para ter tudo conectado", disparou Beighton.

A declaração do VP da empresa de storage na nuvem bate de frente diretamente com a previsão de gigantes como a Cisco, que apostam na IoT com um disruptor para seus negócios, prevendo até 2020 um mercado com cerca de 50 bilhões de dispositivos conectados, gerando um valor de mais de US$ 19 trilhões.

Para analistas, algumas máquinas já estarão conectadas no intervalo de três a cinco anos, especialmente em setores como manufatura e agricultura.

Entretanto, o futuro onde uma variedade extensa de produtos de consumo estará inteligente e ligada à web é uma realidade bem mais distante.

“No momento estamos falando da internet 'com' coisas, não das coisas", afirmou Jon Collins, diretor da consultoria Inner Orbis.

Segundo Beighton, muito se comenta sobre os benefícios que a IoT pode apresentar, principalmente em setores como saúde, proteção ambiental e transporte, mas na prática ainda falta muito.

De acordo com o VP da Rackspace, o uso de dispositivos conectados será adotado em comunidades espalhadas, mas nunca de fato conectadas como um todo, sem padrões comuns nem diálogo entre si.

Esta preocupação se reflete no próprio mercado, onde diferentes fabricantes e empresas de TI se encontram em diferentes alianças na disputa pela definição de padrões em torno do conceito da IoT.

Ainda existe um impase de padronização para estas tecnologias, com concorrentes surgindo tanto no oriente - caso da Huawei e outras empresas como Baidu e Alibaba - assim como no ocidente, com marcas como Google, Cisco, HP, entre outras.

Já existem três consórcios de empresas de TI, cada um com meia dúzia de nomes de grande porte no barco e uma mesma meta: criar um padrão de mercado dominante ainda não existente no momento para esse mercado emergente.