INVESTIMENTO DE R$ 1,8 BI

Tractebel mira usina térmica em Candiota

29/07/2014 10:16

Tractebel quer viabilizar a construção de uma usina a carvão com capacidade de até 600 MW.

Região sul concentra as maiores jazidas de carvão do país.

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A Tractebel tentará neste ano viabilizar a construção de uma grande térmica a carvão, batizada de Pampa Sul, no município de Candiota, localizado na região da Campanha e situado a 390 km de Porto Alegre. A usina, que deve demandar investimentos de R$ 1,8 bilhão, fará parte do próximo leilão promovido pelo governo, no dia 30 de setembro, quando serão ofertados contratos de energia provenientes de projetos que ficarão prontos em cinco anos (A-5). 

A capacidade de geração da termelétrica será de 350 MW, mas pode chegar a 600 MW no futuro, segundo o Valor.

O empecilho para tirar o investimento do papel será, como sempre, o preço. Segundo o diretor financeiro da Tractebel, Eduardo Sattamini, o Índice Custo Benefício (ICB) da térmica é de R$ 225 por MWh. Isso significa que, se esse preço não for alcançado, o projeto vai continuar na gaveta.

Neste ano, a seca e a queda na geração das hidrelétricas impactaram o balanço da Tractebel, maior geradora de capital privado do país e a elétrica com maior valor de mercado na Bovespa. 

Foi o pior desempenho desde 2003, quando as dívidas em dólar foram majoradas pela desvalorização cambial, levando a geradora ao vermelho.

A Tractebel lucrou R$ 363 milhões no primeiro semestre, a metade do que ganhou no mesmo período do ano passado.

No segundo trimestre, o lucro recuou 77%, já que a companhia precisou comprar energia no mercado de curto prazo para honrar seus contratos. Mas o pior já passou, pelo menos para companhia, que terá mais energia no segundo semestre.

Faz tempo que as federações industriais do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná demonstram interesse no uso do carvão.

No ano passado, promoveram uma ação conjunta em favor de um uso maior do carvão na matriz energética brasileira.

A mobilização das entidades não é à toa. A região sul concentra as maiores jazidas de carvão do país - 79% delas ficam no Rio Grande do Sul - mas o mineral corresponde a apenas 1,3% da matriz energética do país, segundo a Associação Mundial do Carvão. 

Nos Estados Unidos, a cifra chega a 40%.

Os defensores da fonte de energia apontam que ela pode pode dar maior segurança ao sistema elétrico nacional, uma vez que provê um recurso estável e não dependente das chuvas, como as hidroelétricas.

A indústria carvoeira tem investido em tecnologia para se livrar da imagem de poluidora.

Criciúma, em Santa Catarina, inaugurou em abril de 2010 o Centro Tecnológico do Carvão Limpo (CTCL), o primeiro passo do que seria um parque tecnológico voltado ao tema na cidade mais identificada com a mineração do carvão no país.

Na primeira fase, os investimentos chegaram a R$ 7,4 milhões, vindos da Finep, Fapesc e Eletrobrás. O investimento total previsto chegava a R$ 25 milhões, incluindo aí uma incubadora tecnológica, laboratórios e plantas de teste.

Nos anos 80, a indústria carbonífera empregava 12 mil pessoas na região de Criciúma. No ano passado, o número estava em 3,9 mil.

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