Inovador solitário é um mito. Foto: Pixalab.

Equipes inadequadas são o principal ponto fraco das startups no momento de serem selecionadas por uma aceleradoras de negócio.

O motivo é apontado por 93,5% das 31 aceleradoras pesquisadas no Brasil, entrevistadas para o estudo “O Panorama das Aceleradoras de Startups no Brasil”, feita por dois professores da  Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV/EAESP).

O motivo é de longe o mais citado, seguindo por "demanda ineficaz" e "falta de escalabilidade", com 51% cada uma. "Falta de inovação" é apontado por 35%.

De acordo com Paulo Abreu, um dos responsáveis pela pesquisa, os fatores estão relacionados entre si e tem que ver com o “mito de que a ideia é a coisa mais importante para uma startup”.

“Na verdade, o que os avaliadores das aceleradoras julgam é se a equipe da startup tem as condições de fazer uma ideia, mesmo com problemas, evoluir e se tornar uma realidade”, aponta Abreu.

Nessa hora, de acordo com a Abreu, conta a existência de uma equipe multidisciplinar, e, principalmente, um conhecimento mais aprofundado sobre o contexto no qual se quer atuar do que a do cliente insatisfeito.

“Os problemas de demanda ineficaz e falta de escalabilidade estão diretamente relacionados”, aponta o pesquisador, destacando que existe uma diferença entre ideias “criativas” e “verdadeiras inovações”, uma vez que essas últimas são julgadas com base na criação de valor final.

Em termos de ferramentas de seleção, novos modelos como Business Model Canvas, Costumer Development e Lean Startup tem a preferência, tendo sido citados cada um 67% das vezes. Métodos tradicionais, como Plano de Negócio, foram citados apenas 29% das vezes.

“A ideia é planejar e executar, modificando o rumo durante o caminho. As aceleradoras não esperam que o empreendedor já saiba tudo desde o começo”, explica Abreu.

A pesquisa da FGV é a mais completa sobre o mercado de aceleradoras no país, tendo ouvido 31 dos 45 players do segmento identificados no Brasil.

Elas já desenvolveram 865 startups, com valores de investimento que variam de R$ 45 mil a R$ 255 mil. Uma única aceleradora é a recordista e já desenvolveu 191 startups até agora, sendo uma das mais ativas da América do Sul.

As aceleradoras são um fenômeno recente, com a primeira abrindo as portas em 2005.  Até 2012, o ritmo foi lento, com poucas abertas: 1 em 2007 e 2009, 4 em 2011, 5 em 2012. O ritmo decolou em 2013, quando foram abertas 7 e em 2014, quando foram abertas outras 8.

Os anos nos quais a movimentação decolou coincidem com a preparação e o lançamento do programa Startup Brasil do governo federal, que concedia dinheiro a fundo perdido para startups, sendo operado por aceleradoras.

O programa, no entanto, entrou na geladeira em 2015, quando só teve uma turma (metade do previsto) e está agora no limbo (Brasília promete uma edição no segundo semestre).

A influência do Startup Brasil não chega a ser tema da pesquisa da FGV, mas Abreu acredita que um eventual fim do programa não ameaça a continuidade das aceleradoras brasileiras.

“O Startup Brasil ajudou num momento de adaptação do conceito ao Brasil. Agora o movimento já anda sozinho”, acredita Abreu.