Empresas brasileiras terão centro de negócios no Vale do Silício. Foto: flickr.com/photos/harriete-estel-berman.

O governo federal criará um centro de negócios em São Francisco, no Vale do Silício, para auxiliar empresas brasileiras desenvolvedoras de software.

A iniciativa faz parte do programa TI Maior, iniciativa do governo para aumentar a competitividade da tecnologia nacional no mercado externo.

O centro de negócios vai reunir formadores de opiniões, apoiar vendas de empresas brasileiras nos EUA, buscar possíveis parceiros para joint ventures e tentar atrair investidores interessados em aportar capital no país.

O espaço será criado pelo Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com apoio da Agência Brasileira da Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).

PLANO
O cronograma das atividades promovidas por esse espaço e os critérios para seu uso pelas empresas nacionais de software serão divulgados pelos dois órgãos no final de novembro.

Segundo Rafael Moreira, coordenador de Software e Serviços do MCTI, a iniciativa vai atender as startups apoiadas pelo programa TI Maior e empresas nacionais de software em geral, sendo uma alternativa ao que ele define como o "atual único meio de aproximação das empresas brasileiras com o Vale do Silício", que é o consulado.

MOVIMENTO DE IDA...

O incentivo do governo vem de encontro aos esforços de companhias brasileiras que já investem por conta na expansão para o vale californiano de TIC.

Caso da Predicta, empresa paulista de marketing digital que tem participação minoritária do grupo gaúcho RBS e recentemente abriu um escritório em San Francisco.

A empresa, cujo último faturamento divulgado é do primeiro semestre de 2010, quando somou R$ 7,77 com meta de fechar o ano com R$ 22 milhões, projeta um crescimento de 50% para 2012, o que deverá ganhar impulso da operação internacional.

Antes dela, outras companhias nacionais como IDXP, Totvs, Movile e Hive Digital Media anunciaram operações no polo norte-americano.

Até mesmo o Porto Digital, complexo de cerca de 200 empresas de TI do Recife, divulgou em janeiro deste ano que iria investir ao redor de R$ 500 mil em uma unidade na Califórnia.

... E DE VINDA
Se por um lado, o movimento de levar tecnologia brasileira ao Vale do Silício se intensifica, o inverso também ocorre: em julho deste ano, dois fundos do Vale do Silício anunciaram um joint fund de US$ 130 milhões com foco em startups nacionais do segmento de Internet.

Os fundos, Redpoint Ventures e e.Ventures, revelaram, na época, intenção de fixar dois parceiros no país para sua operação.

Antes disso, em maio passado, empresa de venture capital norte-americana Sequoia Capital já sinalizava com a possibilidade de atuar no Brasil, segundo o jornal The New York Times.

Um dos colaboradores da Sequoia, David Velez, estava com visita marcada para o país em julho para estudar a abertura de um escritório em São Paulo.

Outra publicação, o Financial Times, chegou a ressaltar o mercado de Internet brasileiro como o maior propulsor do interesse americano.

Para exemplificar, o jornal citou Kevin Efrusy, do Accel Partners, que fez os primeiros investimentos de sua firma no Facebook e no Groupon,  partindo depois para a aportes em quatro brasileiras, entre elas Elo7 e Kekanto.

Outros nomes do Vale do Silício a pousar no Brasil foram a Insight Venture Partners e a Benchmark Capital.