DIZ O LORD MAYOR

UK: integração vale mais que dinheiro

29/10/2012 09:13

Lord Mayor of the City of London, Alderman David Wootton. Foto: Gilson Oliveira/PUC-RS

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Pensando em expandir os negócios para o Reino Unido? Então tenha em mente, em primeiro lugar, que interação, colaboração, integração e associação são palavras de ordem e valem mais do que dinheiro.

É a sentença do Lord Mayor of the City of London, Alderman David Wootton, que participou na sexta-feira, 26, do Softlanding Seminar, evento promovido em Porto Alegre pela Agência Britânica United Kingdom Trade and Investment (UKTI) e Tecnopuc.

“O maior erro ao chegar em nosso mercado é buscar integração. Você não pode trabalhar sozinho”, concluiu Wootton em entrevista ao Baguete Diário.

Outro ledo engano, segundo ele, é não proteger sua propriedade intelectual, o que por lá ele define como “algo muito fácil de se fazer”, devido à existência de uma legislação já consolidada para a área.

Principal autoridade londrina em negócios, serviços profissionais e financeiros, Wootton também destacou a possibilidade de movimento contrário – de empresas britânicas para o mercado brasileiro.

Segundo ele, o país é muito atrativo para as companhias de seu país por conta do mercado vasto e da avidez por inovação, que fazem do mercado local uma “porta de entrada para toda a América Latina”.

Durante o evento no Tecnopuc, Wootton também participou do Projeto Startup Brazil-UK, que irá selecionar até 20 startups brasileiras interessadas em iniciar processo de internacionalização em Londres.

Exemplo de quem já foi para lá e colhe resultados, a gaúcha Pandorga Tecnologia, startup de TI graduada pela Incubadora Raiar da PUC-RS e instalada no Tecnopuc, apresentou seu case no encontro.

A empresa foi pioneira no intercâmbio com auxilio do UKTI, e o depoimento do diretor executivo da Pandorga, Diego Erick Moreira, endossou a análise do lord mayor londrino.

“Lá, o comprador não pede para ver o quanto você está ganhando com o negócio, ele quer saber se você realmente pode entregar o que ele precisa. As negociações se baseiam muito mais em relacionamento, interação, do que em preço. E, ao final, ele vai te responder sim, ou não, e te explicar o motivo. Se for não, dificilmente será por preço”, afirmou o executivo gaúcho.

Teses do mercado britânico que o representante britânico também apresentou, na sexta-feira, 26, em reunião com o governo do Rio Grande do Sul.

Wootton se reuniu com o governador Tarso Genro em um almoço no Galpão Crioulo do Palácio Piratini, em uma atividade integrante da British Week, promovida da quinta-feira, 25, até o dia 1º de novembro.

As conversações são um desdobramento da missão governamental gaúcha ao Reino Unido realizada em maio de 2012.

Entre os setores identificados com potencial para parcerias estão os de infraestrutura, financeiro e indústria da criatividade.

Como símbolo da parceria, o governador destacou a negociação firmada com a BG Group, que contou com a participação de seu presidente da unidade brasileira, Nelson Silva, na reunião com Wootton.

O acordo foi assinado há seis meses e, segundo Tarso, tem garantido o treinamento específico para a indústria oceânica em Rio Grande.

"Estamos muito felizes com esta parceria com os britânicos pelas consequências que trouxe ao nosso estado. São resultados concretos, de uma empresa que apostou em investir no RS", afirmou o governador.

Já Silva anunciou o desejo de a BG avançar os investimentos no Rio Grande do Sul, onde hoje  é responsável por 30% das encomendas de US$ 720 milhões feitas à Iesa no Polo Naval do Jacuí.

A passagem de Wootton pelo estado também incluiu reuniões com representantes da Fiergs e Gaúcha de Desenvolvimento e Promoção do Investimento (AGDI).

Pela avaliação do representante britânico, a visita agradou.

"Pelo que vimos aqui, temos muito sobre o que pensar. Gostamos muito do que vimos. Outros empresários vão se interessar por investir aqui", finalizou Wootton.

CRESCIMENTO E INCERTEZA

No Reino Unido, a situação atual é de crescimento: o PIB local cresceu 1% no terceiro trimestre deste ano, em comparação com ao trimestre anterior, registrando a maior taxa desde o terceiro trimestre de 2007.

Já em relação ao 3T11, o índice demonstra uma estagnação da economia britânica, mas indica a saída do Reino Unido de uma recessão de “duplo mergulho”, conforme avaliação divulgada pelo Valor Econômico.

O desempenho trimestral superou a previsão de analistas, que era de alta de 0,6% ante o trimestre anterior.
Mesmo assim, a economia do país segue 3,1% abaixo de seu pico antes da crise (primeiro trimestre de 2008).

Responsável pela divulgação dos números, o Departamento Nacional de Estatísticas (ONS, na sigla inglês) analisa que a variação do PIB no terceiro trimestre de 2012 teve impacto da queda na produção devida aos dois dias de feriado em junho, em celebração ao jubileu de diamante da rainha.

Já as vendas de ingressos para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Londres acrescentaram 0,2 pontos percentuais ao crescimento do PIB no terceiro trimestre, avalia o ONS.

Para o presidente do Banco Central do Reino Unido, Mervyn King, a recuperação do país é "lenta e incerta".

Na avaliação dele, há temor de que a economia do Reino Unido siga muito próxima da estagnação ao longo do próximo ano.

Já para economistas do Westpac Banking Corp, tudo irá depender das ações do governo do país quanto à redução do déficit.

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