Roberto Fulcherberguer, CEO da Via Varejo. Foto: divulgação.

A Via Varejo, dona do Ponto Frio e das Casas Bahia, anunciou a aquisição da i9XP, paulistana de software para varejo criada em 2017, com a intenção de agilizar a expansão de seu marketplace.

De acordo com o site NeoFeed, o valor da transação não foi revelado.

Com a venda, o centro tecnológico da i9XP continua no bairro paulistano de Moema, onde a empresa está localizada, mas a startup deixará de atender outros varejistas, passando a trabalhar exclusivamente para a Via Varejo.

A empresa conta com equipe de 155 colaboradores, sendo mais de 120 desenvolvedores, que vão se somar aos outros 1,2 mil funcionários da área tecnológica da compradora.

Na varejista, os novos desenvolvedores devem trabalhar para aperfeiçoar o processo de onboarding das empresas que pretendem entrar na plataforma, que ainda é lento. Sua lista de espera soma 7 mil sellers, enquanto o total de lojas ativas na plataforma é de 8 mil.

Segundo a companhia, o processo de entrada já começou a ser aperfeiçoado. Antes, entravam cerca de 100 sellers por mês e, neste último trimestre, o número está entre 600 e 1 mil.

Mesmo assim, ele ainda envolve muitas etapas manuais e a demora para aprovar um novo lojista na plataforma varia entre cinco e 15 dias. 

Com a chegada do time da i9XP, a Via Varejo pretende queimar etapas e, em breve, fazer o onboarding em tempo real.

"Se envolver na transformação digital de uma companhia como a Via é uma oportunidade única. Espero, com a excelente equipe da I9XP, fazer diferença nessa jornada de inovação, fazendo a Via ainda mais ágil, mais tecnológica e mais próxima do sonho dos seus clientes", afirma Edson Tavares, CEO da I9XP.

O segundo passo na estratégia desenhada pela empresa inclui a integração do crediário digital para financiar os produtos vendidos no marketplace. A opção deverá estar conectada à plataforma entre o primeiro e segundo trimestre de 2021. 

No segundo trimestre deste ano, o marketplace da varejista movimentou R$ 900 milhões, o que representa 18% do on-line da rede.

Para dar conta da demanda, a empresa possui 1 milhão de metros quadrados em centros de distribuição e tem usado 500 das suas 1071 lojas como mini hubs de distribuição para fazer a chamada última milha do e-commerce. 

Essa é a terceira aquisição da Via Varejo neste ano. Em abril, a empresa comprou a  ASAP Log, startup curitibana com atuação nacional, para fortalecer sua logística e, em maio, concluiu a compra do banco digital banQi.

No segundo trimestre, a empresa contava com um caixa de cerca de R$ 7 bilhões e continua de olho em oportunidades de mercado, devendo partir para outras aquisições. “Dá para se divertir um pouquinho”, afirmou Roberto Fulcherberguer, CEO da Via Varejo, ao NeoFeed.

Ainda de acordo com a publicação, a disputa é cada vez maior e não envolve apenas os varejistas tradicionais. 

O Banco Inter, por exemplo, deve movimentar R$ 3 bilhões em seu marketplace em 2021 e está de olho em aquisições para dar mais tração ao negócio.

A Magazine Luiza, que conta com cerca de 30 mil sellers, saiu às compras desde o início deste ano. Com um reforçado caixa de R$ 5,8 bilhões, adquiriu uma empresa atrás da outra: Estante Virtual, Hubsales, Canaltech, inLoco Media, Stoq, AiQFome, GFL Logística e Sinq Log. 

O Mercado Livre, que conta com uma base de 11 milhões de sellers e anunciou recentemente o plano de investir R$ 4 bilhões em logística, comprou recentemente a Kangu, startup voltada para a última milha do e-commerce. 

A B2W, com 69,8 mil sellers, por sua vez, movimentou R$ 4,1 bilhões no segundo trimestre de 2020, o que representa 61% de seu GMV.