Acidente aéreo com a delegação da Chapecoense chocou o país. Foto: Divulgação.

Um reajuste de preços automático colocou em apertos a Netshoes, o maior e-commerce de material esportivo do país, com o país em choque pelo acidente que vitimou quase toda a equipe da Chapecoense e jornalistas que acompanhavam o time para a final da Copa Sulamericana na Colômbia.

Na manhã desta terça-feira, 29, o valor da camisa do clube catarinense no site subiu de R$ 159 para R$ 249, no que muitos internautas interpretaram como uma tentativa de capitalizar em cima do provável maior interesse do público nas camisas depois da tragédia, na qual morreram 72 pessoas.

No Twitter, a maioria dos usuários a comentar o episódio viu no reajuste um caso de cobiça, e, no meio de uma onda mundial de solidariedade pela Chape, um exemplo de maldade pura e simples. 

Entre os comentários estão o de que o caso mostra que "Brasileiro é um povo oportunista demais! Chega dá vergonha (sic) esse mercado escroto sinistro!", feito por @guiacme; e os que incentivam boicote à loja, como @thibetarelli: "Se tem uma empresa que não vê mais a cor do meu dinheiro, ela é a @sigaNetshoes. Oportunistas!!!!".

Usuários mais versados em tecnologia, como o coordenador do Gabinete Digital do ex-governador gaúcho Tarso Genro (PT), Vinícius Wu, deram uma explicação algorítmica da visão dos capitalistas maus faturando com a desgraça alheia. 

“Provavelmente vão dizer que foi o algoritmo que reajustou o preço automaticamente em função da procura. E parece que já baixaram o preço ao ver o quanto era absurdo. O lucro acima da vida, da ética, da dignidade humana...”, filosofou Wu.

A Netshoes garante que não é nada disso. O valor do produto teria tido só colocado no seu preço original, após ter o estoque esgotado pelo preço rebaixado oferecido durante a Black Friday. 

“Em nenhum momento houve intenção de aumento do preço. Com o objetivo de sermos transparentes, ajustamos manualmente o preço do produto para o valor inicial, embora o mesmo esteja indisponível”, afirmou a empresa em nota.

Talvez todo mundo esteja vendo Black Mirror demais.