Tudo está bem quando termina bem. Foto: flickr.com/photos/44598240@N03/

Tamanho da fonte: -A+A

A BeeVoter, uma pequena empresa sediada em Brasília, conseguiu resolver o imbróglio da votação digital do PSDB com um procedimento simples, tendo sido contratada quase sem prazo.

A BeeVoter se apresenta, em sua página no Facebook (número total de curtidas: 7), como uma empresa especializada em sistemas digitais eleitorais. O site oficial da empresa só tem contatos e redes sociais.

“A solução BeeVoter conta com inúmeras técnicas criptográficas que permitem a garantia da integridade das informações fim-a-fim. Tudo que é feito no sistema produz registros protegidos por técnica análoga ao blockchain, que impede qualquer prática ilícita no sistema de votação”, afirma o texto na rede social.

Ao todo, foram contabilizados cerca de 26,5 mil votos na eleição, que definiu o governador paulista, João Dória, como candidato dos tucanos para a eleição presidencial de 2022.

É um feito notável, tendo em conta que a Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Faurgs), uma organização com muito mais experiência em grandes projetos de TI, não conseguiu realizar a votação.

O aplicativo criado pela Faurgs, um projeto que custou entre R$ 1,3 milhão e R$ 2 milhões oriundos do fundo eleitoral, segundo que jornal fale do assunto, deixou de funcionar depois de algumas horas no domingo, 22, contabilizando 3,5 mil votos.

A abordagem do BeeVoter foi reduzir muito a complexidade do processo e adotar medidas radicais de segurança. 

Assim, saiu de cena o procedimento de reconhecimento facial rodando na nuvem da Azure na Microsoft, entrando no lugar uma simples senha para os votantes.

A senha foi emitida para um site específico para a votação, o qual os participantes deviam acessar para receber um código por SMS, e depois, criar uma senha e finalmente votar.

O site só entrou no ar no sábado. Para evitar ataques de negação de serviço, o site bloqueou qualquer acesso vindo do exterior, o que não fez diferença nenhuma no processo, porque só dois eleitores estavam fora do país e já tinham votado.

A Faurgs disse em nota ser “muito plausível” que a falha no aplicativo tenha sido causada por um ataque hacker. O PSDB concordou com a suspeita e deu um prazo de dez dias para apurar internamente a possibilidade.

Segundo divulgado pelo PSDB, o site de votação teve de 30 milhões de tentativas de ataque, das quais 27 milhões somente na última meia hora, o que reforça a hipótese de um ataque de negação de serviço, ou DDoS, no jargão da área de TI.