André Noel contou a sua história. Foto: Cristiano Sant'Anna/indicefoto

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O título da palestra atraiu muitos campuseiros a correr para ouvir André Noel contar sua história: “Como ganhei meu primeiro milhão com o Vida de Programador”.

Os mais inocentes acreditaram que o milhão era daqueles que se deposita em um banco ou se carrega em malas pretas, mas a verdade era mais modesta.

O autor do site de tirinhas irônicas sobre o cotidiano dos programadores referia-se ao número de views da página, que atualmente alcança o milhão todo mês.

Noel não revela a sua renda mensal, que varia de acordo com os patrocinadores, mas assume que passa longe dos seis dígitos.

Graduado e mestrando em Ciência da Computação, o autor do site contou na Campus Party como surgiu o projeto que tem a intenção de brincar com o que considera o “lado trágico” da profissão: lidar com os usuários, basicamente.

Hoje, o site já postou mais de 860 tirinhas e 54 mil comentários (a maioria dos quadrinhos gera debates acirrados).

Há dois anos, Noel começou a postar frases no Twitter e viu o potencial de dar espaço ao conteúdo em um site. Inspirado pelo Vida de Suporte, Noel diz não ter habilidades com o desenho e apenas vetoriza seus personagens com base no trabalho de sátiras do colega de TI.

No Gimp, programa de código aberto voltado para criação e edição de imagens, o membro oficial da comunidade Ubuntu realiza pelo menos duas tirinhas ao dia. São pequenas histórias com situações corriqueiras e com estereótipos da profissão.

Em 2011, as piadas começaram a repercutir em seu trabalho – ele não revela o nome da empresa – quando situações coincidiam com o cotidiano do ambiente.

Com tanta repercussão interna, Noel assumiu a responsabilidade, inclusive frente aos chefes, e até hoje a maioria dos personagens é baseado em seus colegas, como Alonso, o estagiário atrapalhado.

Se a palestra não tratava de tornar-se milionário, Noel ao menos deu dicas de como fazer um site de sucesso. O primeiro passo é saber quem está do outro lado da tela.

“É preciso conhecer seu público-alvo.  O meu é dividido em dois grupos: os sádicos, não-programadores que acessam a página para rir dos outros, e os masoquistas: programadores que gostam de autoflagelo”, explica.

O êxito também está em “não encher o saco do leitor com publicidade invasiva”. Por isso, o ideal é a propaganda direcionada. Aliado a isso, para ter a simpatia dos patrocinadores, é preciso dar retorno dos números de cliques.

A primeira renda veio do Google AdSense e, depois apareceram os patrocinadores, que usam os espaços de banners – empresas como Dell, Motorola, Netfix e Locaweb colocam sua marca na página.

Não demorou muito para que o projeto forçasse o programador a largar seu emprego para ficar com o secundário. A esposa Raquel até deixou ele comprar uma máquina de café expresso para facilitar o trabalho de casa.

O agora empreendedor estima que 80% da sua renda seja oriunda de publicidade, 10% de venda de produtos personalizados (camisetas e canecas, por exemplo) e os outros 10% da bolsa de mestrado na Universidade Estadual de Maringá, onde ele reside junto com a mulher e duas filhas.

Com o Vida de Programador, consegue sustentar a família e fazer o que gosta. “Não me importo muito com esse lance de ganhar dinheiro. Sou um cara tranquilo”, garante.

André Noel também não sabe quando chegará ao R$ 1 milhão. “Não faço ideia se algum dia chegarei”, diz. Mas revela os próximos projetos: podcasts e vídeos.

*Juliana de Brito cobre a Campus Party Brasil 6 direto de São Paulo.