Alexandre Graff. Foto: divulgação.

Há 60 anos no mercado e famosa no segmento financeiro em lugares como os Estados Unidos, a californiana FICO quer se tornar mais conhecida no Brasil, expandindo sua presença em novas verticais e produtos.

Especializada em soluções de análise de dados para tomada de decisões, a companhia está desde 1998 no Brasil, mas foi a partir de 2013 que o país se tornou a base para a operação latino-americana da companhia, o que foi o ponto de partida para novos investimentos para crescer na região.

Para crescer no país e na região, a empresa passa por uma diversificação de sua oferta para além dos bancos, tradicional foco da companhia ao redor do mundo. Uma boa referência internacional da multinacional é o FICO Score, um dos principais padrões de verificação de crédito nos Estados Unidos.

Segundo a companhia, cerca de 95% das instituições financeiras globais usam soluções FICO e 70% das aprovações de cartão de crédito no mundo passam por sistemas da empresa. Com um total de 5 mil clientes, a empresa fechou 2015 com um faturamento de US$ 839 milhões.

Embora a FICO não abra números regionais, a companhia apontou um ritmo estável de crescimento no último ano, mesmo em um complicado cenário do Brasil, que representa o maior volume de negócios para a companhia.

Conforme Alexandre Graff, gerente geral da empresa na América Latina e Caribe, os bons resultados no país se refletiram na confiança da matriz em alocar novos investimentos no país, esforço que iniciou em 2013 com a criação de uma divisão dedicada à região - antes os países latino-americanos faziam parte da divisão Americas.

Além disso, de acordo com Graff, a guinada para fomentar o crescimento também mira a diversificação de negócios, que começou levando as soluções da empresa para clientes como seguradoras, e no último ano o varejo.

"Para 2016, nosso plano é também atender as operadoras de telefonia com nossas soluções analíticas", destacou o executivo.

O potencial é grande. Segundo dados da Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil), além dos investimentos em infraestrutura, as quatro grandes operadoras nacionais destinaram uma boa parte do montante de R$ 12 bilhões aportados no primeiro semestre do ano passado para soluções de BI e analytics, de olho na otimização de suas operações e redução de custos.

Em seu core business, que é no segmento financeiro, a FICO concorre no país com nomes como SAS. Entretanto, Graff aponta que a abrangência de portfólio construída nos últimos anos coloca a empresa em diversos campos.

"Em outros mercados, como marketing e varejo, por exemplo, podemos ter competição com IBM ou SAP, por exemplo", ilustra o executivo.

A expansão de portfólio também se deu com uma série de aquisições recentes. No ano passado, a FICO comprou a alemã Tonbeller, um dos principais players europeus no mercado de combate a crimes financeiros e compliance. Em 2014, a empresa comprou nomes menores como Karmasphere, de Big Data, e InforCentricity, de soluções de analytics no formato SaaS.

O esforço em se tornar mais presente no cenário de soluções analíticas no Brasil se refletiu também na estrutura organizacional da companhia. Nos últimos dois anos a empresa expandiu sua operação em São Paulo de 40 para aproximadamente 70 pessoas.

Além disso, a empresa está saindo de um modelo direto de consultoria e venda para fechar suas primeiras parcerias de canal para a venda de soluções especializadas para verticais, de olho principalmente em telecom e varejo.

"Estamos em negociações finais com um parceiro nacional para levar nossas soluções a clientes de telecom. É algo que nos dará maior assertividade nos negócios", explicou Graff.

Com a manobra, a empresa também espera mudar um pouco o perfil tradicional de seus clientes no país, de empresas maiores, como a Coca-Cola, que usou a solução Customer Dialogue Manager para ativação de códigos de recompensa para clientes, e o Itaú, que adotou um pacote de soluções para gestão de riscos e decisão.

"Através de parceiros, assim como a oferta de parte de nosso portfólio em nuvem, esperamos chegar a clientes de porte menor, principalmente no varejo", afirmou Graff. Mundialmente, a empresa tem acordo com a AWS para oferta de produtos em nuvem.