Thorsten Heins não quer mais saber de tablets. Foto: flickr.com/photos/N000@2

Às vesperas de lançar o Q10, sua nova investida para bombar no mercado de smartphones, o presidente da Blackberry Thorsten Heins aproveitou para tocar uma lenha na fogueira, afirmando que o uso dos tablets não durará mais que cinco anos.

"Daqui a cinco anos não imagino que haverá razões para as pessoas comprarem tablets. Talvez uma tela grande no escritório, mas não um tablet. Eles não são um bom modelo de negócios", disparou o executivo, em entrevista à Bloomberg.

Segundo analistas, a declaração de Heins faz sentido do ponto de vista da Blackberry, que estrategicamente não quer negócio no mercado de tablets e foca em recuperar sua força entre os smartphones, com o Z10 e Q10.

O PlayBook, sua investida no segmento, foi um fiasco para a empresa, rendendo um prejuízo de US$ 485 milhões em 2011, após encalhar nas prateleiras.

Já na concorrência, o mercado de tablets vai bem, obrigado. Embora a concorrência - dividida entre pesos pesados como Samsung, Apple e Amazon - seja alta, os números de venda também são.

No primeiro trimestre de 2013, segundo números do IDC, foram vendidos cerca de 17,5 milhões de tablets nos Estados Unidos.

NEM QUERIA MESMO

Com a declaração, Heins indica que tablets não interessam para a Blackberry, não porque a competição é complicada e sim porque o produto está com os dias contados, diz Sebastian Anthony, do ExtremeTech.

"É uma abordagem radicalmente diferente da Apple - cujas vendas do iPad continuam crescendo - e da Microsoft, que está apostando alto no Windows 8 e o Surface", observa.

Além disso, segundo o site norte-americano, Heins acredita que o futuro está reservado em plataformas thin client, conectadas a smartphones com alto poder de processamento, uma ideia que ainda não engrenou. E cinco anos parece pouco tempo para isso.

"Seja lá o que ele (Heins) estiver planejando, vai acabar sendo refletido pelo sucesso do Blackberry 10, o que ainda é incerto, apesar dos resultados animadores de venda registrados no Reino Unido", finaliza Anthony.