SAP Center, em San Jose. Foto: divulgação.

Parece improvável que a SAP venha a colocar o seu nome em um dos estádios da Copa do Mundo de 2014 no Brasil.

Isso porque, apesar de atuação na área esportiva ser uma ferramenta importante de promoção da empresa nos últimos anos, a mera compra de naming rights não satisfaz a estratégia de marketing da SAP.

“Não estamos interessados no tipo de visibilidade que uma marca de bebidas está ao adquirir naming rights. Para nós, o estádio tem que ser um autêntico showcase de tecnologia”, afirma o CMO da SAP, Jonathan Becher.

O executivo, que conversou com exclusividade com a reportagem do Baguete durante o SAP Americas Partner Summit, em Miami nesta segunda-feira, 29, admitiu que a empresa participou de “muitas discussões” e ainda está “aberta a ouvir propostas”.

As negociações passaram por Porto Alegre. Em agosto do ano passado, Eduardo Antonini, então presidente da Grêmio Empreendimentos, afirmou ao Baguete que o clube gaúcho estava em negociações com a SAP para implementação de um sistema de gestão, em um contrato que poderia incluir os naming rights da Arena.

Mas a realidade é que projetos “showcase” como o SAP Center, arena localizada em San José, no coração do Vale do Silício, parecem muito distantes de serem viáveis no Brasil, pelo menos até a Copa do Mundo de 2014.

Os torcedores do San José Sharks podem pedir bebida e comida no seu assento através de apps móveis, além de ter conectividade total com redes sociais e acessos a estatísticas e informações sobre o desempenho dos atletas.

No Brasil, durante a Copa das Confederações, torcedores relataram dificuldades de conexão redes de telefonia móvel, justificadas em parte pelos exíguos prazos de instalação obtidos pelas operadoras junto a administradores de estádio mais interessados em arrecadar patrocínios do que em oferecer serviços de tecnologia.

Se o cenário de uso de tecnologia dentro das arenas esportivas brasileiras pode mudar, impulsionado pelas demandas de um público mais exigente e necessidade de diversificar receita, a cultura dos clubes e dos torcedores de futebol é um obstáculo ainda maior para a adoção das tecnologias dentro do mundo do futebol.

Nos Estados Unidos, grandes times como o San Francisco 49ers e o New York Yankees já usam tecnologias SAP como um instrumento para determinar contratações e medir a evolução dos atletas.

A NBA lançou recentemente o Stats, um site no qual torcedores de times de basquete podem fazer uso de funcionalidades analíticas avançadas sobre o desempenho de jogadores e equipe.

Para a SAP, esse tipo de contrato representa a penetração em um novo nicho de mercado – estimativas apontam que esportes profissional mova US$ 1 bilhão anual nos Estados Unidos – mas também uma ação de marketing.

“Podemos provar para as mostrar para as pessoas as possibilidades do nosso software em um contexto diferente, com um assunto apaixonante”, resume o CMO da SAP.

A chegada dessa abordagem ao mundo do futebol não se trata de uma questão puramente tecnológica, no entanto. As crianças americanas crescem colecionando cartões com dados sobre o desempenho de jogadores de beisebol, um reflexo de uma paixão do país por estatísticas.

Por outro lado, o único case da SAP entre clubes de futebol é o Hoffenheim, um clube pequeno que subiu da quinta divisão alemã graças ao apoio da considerável fortuna de um dos cinco fundadores da multinacional Dietmar Hopp, hoje fora da gestão da empresa.

“Realmente, o futebol não tem a mesma cultura de tomar decisões baseadas em estatísticas, o que é um empecilho para a adoção de softwares”, analisa Becher.
As coisas estão mudando, no entanto. Em agosto do ano passado,  Manchester City abriu as estatísticas da base de dados dos seus jogadores da temporada passada na sua página oficial.

A ideia do clube inglês é que os dados – passes certos, distância dos chutes a gol, bolas roubadas – seja analisado por estatísticos, consultores de gestão, economistas e outros profissionais que possam descobrir padrões e revelações úteis para o clube.

* Maurício Renner cobre o SAP Americas Partner Summit em Miami à convite da SAP.