Randon Implementos é uma das empresas que aderiu ao acordo.

O grupo Randon vai reduzir a jornada de trabalho em grande parte de suas empresas em até quatro dias por mês de agosto a outubro. O objetivo é adequar a produção à demanda e equilibrar os estoques diante da desaceleração do setor automotivo. 

O acordo estabelece a parada da produção às sextas-feiras. Ele pode ser estendido por mais 90 dias para evitar demissões.

A redução foi aprovada em votação pelos funcionários da Randon Implementos, de Caxias do Sul; Randon São Paulo; Suspensys (eixos e suspensões); Castertech (fundição); Master (freios); e Jost Brasil (sistemas de acoplagem para caminhões). Os índices variaram de 78% a 100% de apoio. 

Ficaram de fora a Fras-le, que fabrica lonas e pastilhas de freio; a Randon Veículos, que produz veículos especiais para setores como construção e mineração; e a administradora de consórcios.

Em nota, o grupo informou que a decisão foi tomada pela "instabilidade do mercado nacional, que afeta diretamente a área de transporte de cargas e aquisição de caminhões e, em decorrência, o fornecimento de reboques e semirreboques, além da cadeia de autopeças". 

Segundo a nota, 50% das horas não trabalhadas serão abonadas e 50% descontadas, sem prejuízo no descanso semanal remunerado, férias, décimo-terceiro salário e programa de participação nos resultados.

O diretor corporativo de recursos humanos, Vanderlei Novello, disse ao Valor que a medida vai atingir 8 mil dos 12 mil empregados da Randon no Brasil e no exterior. 

Conforme a Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir), os emplacamentos de reboques e semirreboques rodoviários caíram 10,55% no primeiro semestre, em relção ao mesmo período de 2013, para 28,6 mil unidades. 

Já a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) indicou queda de 12,6% nos licenciamentos de caminhões, para 63,3 mil veículos.

A Randon teve queda de 2,6% na receita líquida consolidada no primeiro semestre em relação aos primeiros seis meses de 2013, para R$ 1,98 bilhão. 

Em junho, a retração foi de 10,6% ante junho do ano passado, para R$ 302,8 milhões. 

Até agora, a previsão do grupo - que divulgará o resultado do segundo trimestre no dia 7 de agosto - é de receita consolidada líquida de R$ 4,4 bilhões em 2014.

A Fras-le, controlada de capital aberto, registrou alta de 9,9% na receita líquida consolidada do semestre, para R$ 379,1 milhões. Em junho, porém, apurou queda de 4,6% sobre o mesmo mês de 2013, para R$ 55,4 milhões. No primeiro trimestre, 44% da receita vieram das exportações e das vendas das unidades no exterior.