Sede do Grupo Positivo no Paraná.

O Grupo Positivo, uma das maiores empresas da área educacional do país, fechou a contratação da Rimini Street para assumir o suporte do seu sistema de gestão da Oracle, o Enterprise Business Suite 12.

A estratégia do Grupo Positivo é utilizar o suporte terceirizado da Rimini Street nos próximos cinco anos, para então avaliar a possibilidade de uma migração para a versão 13 do EBS, para a versão na nuvem do ERP da Oracle ou mesmo para um outro sistema de gestão.

“Um ERP tem um ciclo de vida útil de 10 ou 15 anos. Nossa ideia é liberar recursos de manutenção durante esse período para investir em outras áreas”, explica Elizimar Polizelo, CIO do Grupo Positivo. 

A expectativa é gerar uma economia entre 50% e 70% com os custos de suporte, que tipicamente equivalem a 20% do custo das licenças de software anualmente.

Além do ERP da Oracle, que atende ao financeiro da empresa, a Rimini Street também fará o suporte das integrações do EBS com outros sistemas que gerem outras atividades do Grupo Positivo, como os softwares específicos para gestão de alunos, da gráfica Posigraf e da Editora Positivo, o que não era feito antes. 

Polizelo teve um benchmark próximo: a Positivo Tecnologia, empresa do mesmo grupo, mas com algumas especificidades, tendo em vista que tem capital aberto, já havia feito uma migração para o suporte da Rimini Street em 2014, voltando para a SAP no começo do ano passado.

“Eles tiveram os SLAs de atendimento enquanto o ERP esteve parado e regressaram para o fabricante no momento de fazer uma migração”, resume Polizelo.

As áreas de TI do Grupo Positivo e da Positivo Tecnologia mantém uma relação próxima, compartilhando recursos como um data center e contratos de software de folha de pagamento e e-mails, mas tomam decisões independentes em outros aspectos.

Com a verba aprovada, o Grupo Positivo fez investimentos em inteligência artificial através das plataformas Watson da IBM e Luis da Microsoft, utilizando reconhecimento facial para medir o engajamento e atenção de 55 mil alunos em sala de aula. 

Outra inovação prevista é o uso de quiosques robotizados para o autoatendimento de alunos e a adoção de sistemas inteligentes para envio de mensagens aos estudantes poucos minutos antes dos pais chegarem às escolas, avisando o momento exato em que as crianças devem se direcionar para os portões de saída. 

O Grupo Positivo atua nas áreas de ensino, soluções educacionais, gráfica, tecnologia e cultura, conta com mais de 7 mil colaboradores e está presente em todos os estados do Brasil, por meio dos sistemas de ensino da Editora Positivo, e em mais de 40 países por meio das soluções de tecnologia educacional exportadas pela Positivo Tecnologia.  

De acordo com o ranking da Revista Amanhã, o Grupo Positivo é a maior empresa do setor de educação do Sul do país, com receita líquida próxima de R$ 1 bilhão.

O Grupo Positivo é o primeiro case de um cliente da base Oracle divulgado pela Rimini Street. Mas existem implementações que não foram divulgadas: Polizelo afirma que fez benchmarks com alguns deles, mas não abre nomes.

No Brasil desde 2011, a Rimini Street atende uma base de 41 clientes que inclui Gol Linhas Aéreas, Grupo Rodobens, Infoglobo e Atento. Em toda América Latina, o número chega a 100. O mercado Oracle representa uma oportunidade para a Rimini Street. 

De olho em melhorar sua posição no mercado de nuvem pública, hoje dominado por Microsoft, AWS e Google, a companhia está fazendo uma movimentação agressiva para migrar clientes de sistemas de gestão para a nuvem.

Recentemente, a companhia lançou um serviço de migração de aplicações para a nuvem com a promessa de reduzir o tempo e o investimento no processo em 30%, com um prazo de projeto de até 5 meses. 

A oferta começa pelos produtos E-Business Suite, PeopleSoft e Hyperion interessados em migrar para o Oracle ERP Cloud, Oracle SCM Cloud e Oracle EPM Cloud. 

De acordo com o CTO e presidente da Oracle, Larry Ellison, o chamado Soar fará com que seja mais fácil migrar para as aplicações da nuvem da companhia do que era “fazer um upgrade do E-Business Suite”.

No Brasil, no entanto, existe alguma insegurança sobre se o novo software na nuvem atenderia todos os requisitos tributários, que são geralmente o ponto fraco dos ERPs de multinacionais.

Em um relatório recente, o Gartner afirma que o Oracle às vezes usa “táticas de venda de alta pressão” para vender sua oferta de nuvem, incluindo “auditorias de software ou ameaças de aumentar os custos dos bancos de dados caso o cliente escolha outro provedor”.

Muitos clientes podem optar para esperar para ver, deixando o suporte enquanto isso com a Rimini Street.