SEGURANÇA

Polícia Civil faz apreensão no caso TJ

30/07/2021 10:09

Segundo jornal gaúcho, ataque pode ter partido de dentro do próprio Tribunal.

TJ-RS passa por problemas há três meses. Foto: Divulgação.

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O ataque hacker ao Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, um dos maiores já feitos no Brasil, causando problemas ainda hoje, três meses depois, pode ter partido de computadores de funcionários.

Pelo menos, é o que aponta o jornal gaúcho Zero Hora, que revelou que equipamentos teriam sido apreendidos na casa de um funcionário do setor de informática do TJ, em Porto Alegre.

O delegado André Anicet, da Delegacia de Repressão aos Crimes Informáticos, confirmou a apreensão ao jornal, mas não comentou sobre a identidade do dono dos equipamentos, que estão passando por perícia.

Os investigadores chegaram a esse servidor após receber um relatório da Direção de Tecnologia da Informação e Comunicação do TJ-RS referente aos IPs que podem ter sido portas de acesso para os cibercriminosos.

Anicet ressaltou que acredita que o servidor possa ter sido vítima dos criminosos.

Além disso, uma segunda porta de possível acesso dos hackers foi identificada no endereço de IP de uma juíza, também moradora da capital gaúcha, revela a Zero Hora.

No caso da magistrada, no entanto, o assunto é tratado internamente pelo TJ-RS. Assim como o servidor, acredita-se que a magistrada também possa ter sido vítima.

Os ataques aos sistemas do TJ-RS ocorreram há três meses, mas trazem reflexos até hoje na rotina da justiça estadual. 

O ataque de ransomware teria atingido pelo menos 18 mil computadores. À época, houve rumores da cobrança de um resgate de US$ 5 milhões, ou R$ 26 milhões (cotação de começo de maio), pelo resgate das informações criptografadas pelo ransomware. 

Serviços como emissão de ofícios, alvarás, mandados, precatórias, notas de expediente, entre outros, estão ocorrendo, mas de forma ainda lenta, porque não se consegue descobrir onde está o problema para que haja uma solução por completo. 

Audiências na 1ª instância e sessões na 2ª instância estão ocorrendo, mas por vezes precisam ser desmarcadas em razão da instabilidade do sistema.

Os computadores dos funcionários, onde muitos guardavam arquivos importantes para o seu trabalho cotidiano, estão sendo formatados.

A demora no retorno à normalidade está gerando pressão da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), cuja seccional gaúcha ingressou com nova medida no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra o TJ-RS.

A entidade pede mais transparência da corte na divulgação dos problemas registrados nos sistemas da Justiça estadual e nas medidas que estão sendo tomadas para resolvê-los.

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