Hélio Samora, diretor geral da PTC para a América Latina.

A PTC acaba de lançar o Creo Layout, um software de CAD voltado para o design em 2D.

Pode parecer estranho vindo de uma empresa que nasceu nos anos 80 levantando a bandeira do design tridimensional paramétrico - e é mesmo, como reconhecem os próprios executivos da companhia.

“Passamos 24 anos falando que o CAD 2D estava condenado, mas ele não estava”, reconhece John Buchowski, VP para o produto Creo e estratégia de parceiros da multinacional americana, que esteve em São Paulo nesta quinta-feira, 30, participando do PTC Live Tech Fórum.

Buchowski cita o caso de visitas a clientes da empresa na Alemanha nos quais, para uma base instalada de 450 licenças de Creo, possuiam outra de 900 licenças de CAD 2D.

“Isso me fez pensar se nós realmente poderíamos dizer que éramos o principal fornecedor de CAD daquele cliente”, brinca Buchowski.

A PTC não é a primeira player no mercado de CAD a se dar conta que a estratégia de migração total da base 2D para 3D não emplacou, uma vez que em muitas indústrias ainda é mais prático seguir fazendo os primeiros esboços de um projeto em duas dimensões, por exemplo.

Em junho de 2010, a concorrente SolidWorks lançou o Draftsight, um software cujo download é gratuito – a empresa cobra apenas suporte e algumas APIs – com objetivo declarado de "liberar o orçamento" destinado a compra de licenças 2D para compra de software 3D.

Assim como o Creo Layout, o software é um movimento para atacar um mercado hoje dominado pelo AutoCAD da Autodesk, mas as similariedades terminam aí, garante Buchowski.

“O Draftsight é uma ferramenta que funciona sem conexão com o CAD 3D. O Layout funciona integrado com o Creo, facilitando a exportação de arquivos e as modificações futuras”, analisa o executivo.

De acordo com Hélio Samora, diretor geral da PTC para a América Latina, um cliente típico na região tem três licenças de softwares 2D para cada uma de licença 3D e o objetivo a partir de agora é vender uma licença de Layout junto com cada uma de Creo.

“Não é uma venda fácil, por que o cliente já está usando alguma coisa”, analisa Samora. Mesmo assim, o executivo vê potencial na oferta. “Nessa semana visitamos um grande cliente brasileiro e a primeira coisa que ele perguntou foi quando nós teríamos uma estratégia para 2D”, revela.

O diretor geral da PTC para a América Latina não abre preços, mas deixa claro que a tática de oferecer o Creo Layout dentro de um pacote com as licenças 3D abre margem para um custo bem mais competitivo do que a compra de licenças 2D “puras” na concorrência, onde os softwares podem custar na faixa de US$ 3,5 mil.  

* Maurício Renner cobre o  PTC Live Tech Fórum em São Paulo à convite da PTC.