Cyro Diehl.

O data center da Oracle no Brasil vai atrasar um pouco, mas será entregue em janeiro ou, no mais tardar, fevereiro do ano que vem.

É o que garante o presidente da Oracle Brasil, Cyro Diehl, que falou sobre o tema com a reportagem do Baguete durante o Oracle Open World, que acontece em San Francisco, nos Estados Unidos.

Diehl afirma que houve um “mal entendido”, quando o CEO global da companhia, Mark Hurd, anunciou a novidade durante o mesmo evento no Brasil no final do ano passado, prometendo a inauguração para o primeiro semestre de 2014.

“São demorados os trâmites e processos pelos quais é preciso passar para estabelecer uma estrutura local dessas, com trâmites como importação ou setup de nuvem. Nas próximas semanas divulgaremos maiores detalhes sobre como funcionará o data center e as ofertas que virão com ele”, completou Luiz Meisler, presidente de operações da companhia na América Latina.

Sejam quais forem os motivos da nova data, o fato é que fica estabelecida uma corrida com a rival SAP, que anunciou em setembro um investimento de R$ 19 milhões para contratar um data center no Brasil até o primeiro trimestre de 2015, focado inicialmente em oferecer o software de gestão de RH Success Factors.

Na ocasião do anúncio, a presidente da SAP do Brasil, Cristina Palmaka, chegou a cutucar a Oracle, dizendo que a empresa tinha sido a “última a anunciar, mas seria a primeira a fazer”, enquanto outros tinham feito sua divulgação “no gerúndio”.

(Deixando a rixa SAP x Oracle de lado, o fato é que a instalação de data centers por multinacionais no país é uma tendência generalizada. Nos últimos meses, IBM, Microsoft, Huawei, Dimension Data, VMware e Dell fizeram anúncios do tipo).

Com o data center no país, Meisler acredita que a oferta em nuvem, palavra de ordem no Oracle Open World 2014, será o grande impulso para a empresa no Brasil, para empresas de todos os portes.

Cutucando a concorrência, Diehl destacou que as soluções a serem oferecidas em nuvem, o plano é acessibilizar a marca Oracle aos clientes potenciais que acreditam que ela só atende companhias de grande porte.

"Outras empresas tem soluções bastante diferentes para clientes pequenos e outra para os maiores. Não queremos esta abordagem. Nosso plano é oferecer a mesma solução para todos. A diferença está apenas na escala de implantação", destacou.

O comentário de Diehl pode ser visto com um aceno à SAP, rival no mercado de ERP, que tem a sua solução para clientes de grande porte e agora investe para bombar o SAP Business One, voltado pra empresas de pequeno porte.

Para Diehl, mais do que uma empresa de SaaS ou de ERP, o objetivo da companhia é oferecer pacotes de soluções e integrá-las dentro dos negócios, tal como destacou o CEO da empresa Mark Hurd.

"Somos a única empresa que oferece soluções em praticamente todas as áreas, e estamos obstinados a buscar a liderança em todas elas. Mudamos muitas coisas internamentes, e agora queremos levar isso para o mercado", afirmou.

Entretanto, para levar isso adiante, Meisler sabe que é preciso fazer isso através dos canais e de evangelização. A empresa conta atualmente com mais de 20 mil canais da região e o plano é expandir essa rede.

"A mudança que acabamos de fazer dentro de casa, com o foco em nuvem, agora será levado aos canais. Estamos iniciando um processo de processo de capacitação e captação de novos canais para isso", destacou o presidente regional.

Além disso, com o foco da empresa em serviços (SaaS, PaaS e IaaS), a empresa está investindo em uma nova divisão interna, que se relacionará diretamente com os canais e focará no atendimento pós-venda das soluções.

"Hoje a relação do cliente não acaba com a venda. Por isso estamos contratando um grupo de pessoas para focar somente neste relacionamento pós-venda. O plano é ter uma pessoa para atender cada quinze clientes de serviços em cloud", completou Meisler.

De acordo com Eduardo Lopez, VP de aplicativos da Oracle América Latina, a divisão, chamada Customer Success, iniciará dedicada a SaaS e terá 29 pessoas, oito delas atendendo ao Brasil.

"O foco, além da venda, passa a ser o de satisfação do cliente. Estamos investindo em uma equipe especializada no acompanhamento no uso de nossas aplicações, promovendo melhores práticas e garantindo alto desempenho para os clientes", explica Lopez.

A Oracle não abre números regionais, mas a América Latina registrou um aumento de três dígitos no último ano, com foco em áreas como telecomunicações, retail, utilites e serviços financeiros, com o Brasil respondendo por pouco menos da metade da total.

* Leandro Souza cobre o Oracle Open World em San Francisco à convite da Oracle.