Empresas com grandes campos de petróleo, como a Petrobras, devem aplicar anualmente 1% de investimento em pesquisa. Foto: Divulgação.

A LTrace, startup catarinense sediada na Miditec, incubadoragerenciada pela Associação Catarinense de Tecnologia (Acate), tem um contrato  de dois anos com o Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes). 

A parceria tem foco na implementação de técnicas de machine learning no processo de análise e microtomografia de rochas na área do pré-sal brasileiro. 

De acordo com normas da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), empresas com grandes campos de petróleo têm como obrigação aplicar anualmente 1% de investimento em pesquisa, dos quais 10% devem ser destinados a empresas brasileiras. 

Com o orçamento, a LTrace irá contratar cinco novos colaboradores para apoiar no desenvolvimento do projeto, totalizando uma equipe de oito profissionais.

Fernando Bordignon, cofundador da LTrace, explica que o objetivo do projeto é levar o desenvolvimento realizado na academia para a indústria. 

“Por meio de recursos de machine learning, vamos conectar micro propriedades de rochas com as propriedades gerais do reservatório de petróleo. Em geral, essas amostras são muito pequenas e existe uma grande dificuldade de isolá-las e conectá-las com o restante. Por meio da tecnologia, faremos uma análise da composição das rochas onde fica o óleo, nos reservatórios, para conectar os dados sísmicos de grandes dimensões do campo com micro amostras de rochas”, explica Bordignon.

A LTrace foi fundada em 2017 por três ex-alunos de um mesmo laboratório de pesquisa em Ciências da Computação aplicadas à Geofísica, na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). 

Atualmente integrante do Miditec, a LTrace desenvolve um aplicativo para análises geofísicas, que pode ser instalado em um software já utilizado pelos geofísicos da área.

A empresa trabalha com inversão sísmica, que é o processamento de dados a partir de informações dos reservatórios de petróleo ou depósitos de gás sob a superfície de terra. 

“No momento, estamos trabalhando no aprimoramento da nossa solução e na estruturação de nosso modelo de negócio. A parceria para P&D firmada com a Petrobras neste momento vem como uma forma de chegar o mais perto de um produto possível. Já temos o problema, os dados e a ferramenta, só resta saber como integrar tudo isso para gerar um produto”, finaliza Bordignon.