Vista noturna da ponte Hercílio Luz, em Florianópolis. Foto: flickr.com/photos/alineavila

O Peixe Urbano vai mudar sua sede do Rio de Janeiro para Florianópolis em março, criando cerca de 400 empregos na capital catarinense.

Segundo informa a Exame, devem ser transferidos para Florianópolis 300 funcionários do financeiro, engenharia de software, parte da área comercial, atendimento, conteúdo e publicação de ofertas.

Além disso, outras 100 posições serão criadas até o final do ano. O presidente da empresa, Alex Tabor, e todos os diretores vão para o novo local. No Rio, devem ficar entre 30 e 50 funcionários. 

Os funcionários que desejarem se mudar devem ser mantidos nas mesmas funções, quem ficar no Rio não deve ser demitido, mas pode ser realocado.

“Começamos o ano procurando a prefeitura para falar da nossa intenção de mudar e fizemos algumas consultas, planejando ir em 2018. As respostas foram tão rápidas que aceleramos o processo e vamos em março, quando o local estiver pronto”, disse Tabor à Exame.

Tabor citou à Exame alguns motivos para a escolha da capital catarinense, incluindo o fato da de Florianópolis estar entre as melhores cidades para se fazer negócio do país em rankings como o da Endeavor, estar se consolidando como um polo tecnológico e oferecer melhores alíquotas tributárias.

A facilidade de contratar engenheiros e o custo de vida menor também influenciaram na mudança. 

A troca de sede acontece em um momento de reformulação dos negócios do Peixe Urbano. Surgido em 2010, em meio à febre dos sites de compras coletivas, o portal chegou a ser o maior referente desse mercado.

Com a falência do modelo de negócios de compras coletivas, a empresa vendeu suas operações no  Argentina, no Chile e no México em 2012 e passou a focar o mercado brasileiro, sendo um portal de ofertas. 

Em 2014 o Peixe Urbano foi vendido para a chinesa Baidu em troca do pagamento da dívida de R$ 60 milhões, revela a Exame.

Na época da venda, analistas estimavam a receita do Peixe Urbano em R$ 350 milhões. Caso o palpite fosse correto (a empresa não abre valores, só afirma ter crescido 100% em 2015 e 40% em 2016), a companhia teria uma receita próxima de R$ 1 bilhão.

O setor de tecnologia de Santa Catarina cresceu 15% em 2015, segundo estimativa da Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia (Acate).

É um bom número. A estimativa do IDC para o mercado brasileiro como um todo era alta de 7,3%, totalizando US$ 64,3 bilhões

O crescimento tem se revertido em mais empregos na área, segundo aponta outro estudo da Acate. 

Também em 2015, o número cresceu 3,6% no estado.

Só outros três estados apresentaram crescimento: o Rio de Janeiro apresentou alta de 2,7%, o Rio Grande do Sul teve aumento de 1,4% e São Paulo 0,7%.

Florianópolis lidera o ranking dos municípios que mais contrataram em TI, com crescimento de 6,9%, seguido de Blumenau (3%). 

Ao todo, Santa Catarina reúne 2,9 mil empresas de TI no estado, cerca de 5,3 mil sócios empreendedores e emprega 47 mil pessoas. 

O setor tem um peso específico importante na economia catarinense: o faturamento de de R$ 11,4 bilhões corresponde a aproximadamente 5% do PIB do estado.