A OAS também informou que vai colocar à venda suas participações na Fonte Nova. Foto: Divulgação.

O Grupo OAS, investigado por suspeita de corrupção na Operação Lava-Jato, entrou com um pedido de recuperação judicial de nove de suas empresas na Justiça do Estado de São Paulo nesta terça-feira. 

"A iniciativa foi o melhor caminho encontrado pelo Grupo para renegociar suas dívidas com credores e fornecedores diante da intensa restrição de crédito verificada desde o final do ano passado. A OAS decidiu também que concentrará esforços naquilo que é sua principal vocação, a construção pesada", diz o grupo em nota.

Diego Barreto, diretor de Desenvolvimento Corporativo da Construtora OAS, afirma no comunicado que a construtora entrou com pedido de recuperação não por falta de liquidez, mas por questões técnicas, uma vez que é garantidora dos financiamentos do grupo.

Segundo a empresa, suas dificuldades começaram em novembro, a partir das investigações sobre corrupção na Petrobras, "que resultou na interrupção das linhas de crédito". 

"Ao mesmo tempo, clientes suspenderam momentaneamente seus pagamentos e novas contratações. Como consequência, as agências de rating rebaixaram a nota da OAS, o que levou ao vencimento antecipado de suas dívidas", completa o documento.

Em janeiro, as agências de avaliação de risco Fitch, Standard & Poor's e Moody's reduziram a nota de crédito da empresa após o não-pagamento de juros de dívidas.

Junto com o pedido de recuperação judicial, a OAS também informou que vai colocar à venda suas participações na Invepar (24,44% do negócio), a fatia no Estaleiro Enseada (17,5%), na OAS Empreendimentos (80%), na OAS Soluções Ambientais (100%), na OAS Óleo e Gás (61%) e na OAS Defesa (100%), além da Arena Fonte Nova (50%) e da Arena das Dunas (100%).

Segundo a empresa, após o deferimento do pedido de recuperação pela Justiça, o grupo terá 60 dias para apresentar o plano de reestruturação das dívidas aos credores e fornecedores, que terão mais 120 dias para discutir e aprovar a proposta.

A empreiteira não incluiu no comunicado a Arena Porto-Alegrense, responsável pela gestão da Arena do Grêmio. O clube está em processo de negociação para a compra da gestão do estádio.

No dia 25 de março, a Galvão Engenharia, também investigada na operação, informou que entrou com pedido de recuperação judicial. 

Segundo comunicado, a decisão é resultado de sua “atual condição financeira”, “agravada pela inadimplência de alguns de seus principais clientes, dentre eles a Petrobras. A companhia estatal não honrou pagamentos de serviços adicionais executados, por ela solicitados e atestados”.