Milagre! No Baguete tem um Razr D3. Foto: Baguete.

Lançado há cerca de dois meses no Brasil, o smartphone Motorola Razr D3 chamou a atenção no segmento dos smartphones de entrada. No entanto, para o consumidor, o desafio é encontrá-lo nas lojas.

Celular Android 4.1 (Jelly Bean), dual chip, com configurações avançadas para um modelo na faixa dos R$ 700, o aparelho recebeu críticas favoráveis em vários sites especializados.

Parecia bom demais para ser verdade e, pelo que se pode ver nas redes sociais e em sites como o Reclame Aqui, era mesmo: consumidores interessados em adquirir o aparelho reclamam contúnuamente de sua escassez nas lojas.

Em lojas virtuais como Americanas, Submarino e Walmart, o aparelho está esgotado há mais de uma semana. O Ponto Frio, no início da semana, anunciou um lote de apenas 50 unidades do aparelho, que se esgotou em minutos.

Olhando estes indícios, tudo leva a crer que o D3 é um grande sucesso.

Ao falar sobre o novo aparelho, a Motorola não divulgou números preliminares de venda, mas destacou que ele tem uma "ótima aceitação no mercado". Mas e a reposição nas lojas? Afinal de contas, se está vendendo bastante, melhor ainda é vender mais.

"Tivemos uma demanda acima do esperado. A distribuição do produto deve ser normalizada nos próximos dias", afirmou a assessoria da fabricante para a reportagem do Baguete.

Segundo Anderson Mansera, do site Mobizoo, o que poderia ser uma grande virada para a Motorola no mercado, acabou se tornando uma pequena derrota.

"É um caso interessante de um aparelho que tinha tudo para ser um sucesso de vendas, mas acabou morrendo na praia, por um erro de estratégia da própria fabricante: não ter aparelhos suficientes para atender a demanda", avaliou.

RECALL?
No entanto, alguns usuários mais desconfiados, como o leitor do Baguete Gustavo Melo, que sugeriu essa reportagem ao site, levantam uma segunda possibilidade: um recall disfarçado por parte da Motorola.

Em fóruns e sites, como o já citado Reclame Aqui, usuário que compraram o D3 experimentaram problemas com o aparelho.

Alguns registraram problemas de queda de performance no smartphone e em outros casos, o aparelho chegou a travar completamente. Problemas em sua funcionalidade dual chip é uma reclamação recorrente.

"Comecei a usar o aparelho no dia 08/04, sendo que tive a felicidade de usar em apenas 8 dias. No 9º dia o aparelho parou totalmente do nada, apagou tudo e a bateria não parava de esquentar", relatou um consumidor maranhense.

Levando em conta este cenário do celular defeituoso, pode-se cogitar que a Motorola segurou a reposição do aparelho para corrigir problemas em sua fabricação.

Para completar, segundo relatos de alguns lojistas, a fabricante chegou a retirar os aparelhos de algumas lojas - um inédito caso de recall no país.

A Motorola não nega nem confirma o recall, se limitando a dizer que "não comenta rumores".

Eduardo Tude, analista e presidente da consultoria Teleco, não descarta esta hipótese, embora acredite mais na possibilidade que a Motorola esteja com problemas para suportar a demanda.

"Já ocorreram, em outros países e com outros telefones, casos em que fabricantes retiraram seus produtos temporariamente para corrigir defeitos em seu projeto, o que pode acontecer quando é um aparelho novo", afirma.

A confiança do consumidor na Motorola também não é das melhores. Em ranking divulgado em maio pelo Procon-SP, a fabricante lidera no número de reclamações, na frente da Nokia. O índice de solução dos problemas também está abaixo da concorrência, com 53%.

Para quem pretende comprar o D3, só resta uma alternativa: esperar que ele apareça novamente, acompanhando comunidades e fóruns dedicados ao aparelho, ou visitando as lojas para conferir. Uma hora dá sorte.